11:48 20 Janeiro 2020
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    Embora a detenção da funcionária do Departamento de Estado dos EUA, Candace Claiborne, que alegadamente teria cooperado com a inteligência chinesa ao longo de vários anos, tenha acontecido na véspera do encontro entre Xi Jinping e Trump, é pouco provável que ela provoque uma repercussão política forte.

    Os fatos conhecidos sobre o assunto levam a tirar uma conclusão sobre o alto nível de profissionalismo dos serviços secretos chineses e sobre os graves problemas com o regime de segurança das embaixadas americanas no estrangeiro, frisa o perito militar russo Vasily Kashin em um comentário para a Sputnik China.

    Claiborne era funcionária técnica do Departamento de Estado e, provavelmente, não tinha nível diplomático. Entretanto, ela era responsável pelo funcionamento dos serviços administrativos de várias embaixadas americanas no estrangeiro, inclusive em Pequim nos últimos anos. Além disso, ela tinha acesso elevado à documentação e a segredos do Estado.

    Julgando pelos dados publicados, se pode supor que as condições de recrutamento de Claiborne estariam de alguma maneira relacionadas com seu namorado — um jovem que no passado teria cometido um crime grave no território da República Popular da China. Os serviços secretos chineses, por sua vez, conseguiram lidar com o problema e salvá-lo de dissabores.

    Claiborne cooperou com a inteligência chinesa ao longo de 5 anos, o que é um período considerável. Podemos supor que o fracasso da agente está relacionado com sua própria falta de cautela, em particular, por ela ter mencionado o fato de estar cooperando com a inteligência chinesa em correspondência pessoal, bem como por manter um diário em que mencionou episódios das suas atividades secretas. Talvez a funcionária do Departamento de Estado também não tenha sido muito disciplinada quanto aos gastos, o que poderia ter atraído a atenção dos serviços secretos americanos.

    Os agentes de contraespionagem americanos não conseguiram descobrir que informação, em particular, Claiborne teria fornecido aos chineses. É por isso que ela é acusada não de espionagem, mas de criar obstáculos à investigação e mentir aos agentes do FBI. Em teoria, ela pode ser condenada com até 25 anos de prisão por seus delitos. Na prática, se conhecem casos em que acusações ainda mais graves contra alegados espiões chineses se desmoronaram em corte, enquanto os acusados continuaram vivendo uma vida normal.

    Na maioria dos casos, o FBI receia revelar todos os dados disponíveis em tribunal, já que tem medo de comprometer suas fontes confidenciais de informação. Isto aumenta as chances de sucesso dos acusados. Claiborne, por sua vez, não se reconheceu como culpada e, pelos vistos, espera obter sucesso.

    Provavelmente, Claiborne não é a única fonte da inteligência chinesa nas entidades públicas americanas. A histeria americana em relação à alegada intervenção russa nas presidenciais de 2016, e as tentativas de encontrar as provas de uma enorme conspiração da espionagem russa contra os EUA, garantem aos serviços secretos chineses oportunidades propícias para o desenvolvimento ulterior do seu trabalho.

    Estas oportunidades podem ainda aumentar graças à desmoralização geral que reina no Departamento de Estado após a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA. Trump não tem popularidade entre os funcionários desse órgão e no meio dos círculos diplomáticos de especialistas e responsáveis em geral.

    O novo secretário de Estado, Rex Tillerson, está sentindo isolamento por parte de muitos funcionários do Departamento de Estado e evita os contatos diretos com eles. Ao mesmo tempo, os serviços secretos se encontram, de fato, em uma situação de conflito com o presidente Trump, o que torna o sistema americano ainda menos equilibrado e oferece ao Ministério de Segurança de Estado chinês e à inteligência militar do país novas oportunidades para aumentar suas atividades.

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    Tags:
    inteligência, serviços secretos, espionagem, Ministério de Segurança Pública da China, Departamento de Estado dos EUA, FBI, Donald Trump, Rex Tillerson, China, EUA
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