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    Homens procuram por sobreviventes sob os escombros de um edifício danificado após um ataque aéreo em Aleppo realizado pelos rebeldes na área de Qadi Askar, Síria 08 de julho de 2016.

    Acadêmicos alemães desmascaram mentiras midiáticas sobre guerra na Síria

    © REUTERS/ Abdalrhman Ismail
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    Ao contrário dos EUA, que têm a "intenção de destruir a Síria e outros países do Oriente Médio", a Rússia e o Irã estão desempenhando um papel construtivo na hora de prevenir o derrube de Bashar Assad e a formação de um governo fundamentalista sunita no seu país, afirma a carta aberta assinada por um grupo de acadêmicos alemães.

    Estes professores universitários alemães, membros da organização ATTAC Deutschland (Associação pela Tributação das Transações Financeiras para ajuda aos Cidadãos — Alemanha), publicaram uma declaração conjunta, na qual criticaram a interpretação que a maioria das mídias apresenta no que se trata do papel russo e iraniano na resolução do conflito sírio.

    Segundo a chamada "Declaração sobre a guerra na Síria", a Rússia e o Irã "primeiro esgotaram todas as possibilidades de uma solução diplomática e pacífica do conflito" e ao ver que não funcionaram, iniciaram ações militares.

    "Os ataques contra a Rússia por parte dos principais meios de comunicação são absurdos", asseguram estes 14 professores universitários alemães, argumentando sua postura.

    A ideia de derrubar Assad já apareceu em 2001

    Em sua declaração, os acadêmicos recordam a entrevista de 2007 do secretário-geral da OTAN, Wesley Clark, que revelou que umas semanas após os atentados de 11 de setembro, os EUA se propuseram invadir não só o Iraque, mas também outros cinco países do Oriente Médio, inclusive a Síria.

    Com este objetivo em mente, os EUA estiveram preparando as condições propícias para uma mudança do regime na Síria desde o ano de 2005, incluindo uma campanha da mídia "mainstream" contra o governo de Assad.

    Surgimento da "oposição moderada"

    Os EUA também cooperaram com a Arábia Saudita, Qatar e Israel para formar e financiar um exército de jihadistas sunitas, visando derrubar os governos de Damasco e de Teerã, informou o jornalista Seymour Hersh em 2007.

    Entretanto, batizaram estas forças de uma maneira muito mais suave, ou seja, de "oposição moderada", destacam os professores alemães.

    "A força militar mais numerosa da oposição era composta por Al-Qaeda e o grupo radical islamista Frente al-Nusra [atualmente denominado como Frente Fatah al-Sham], classificados pelos próprios EUA como organizações terroristas", precisaram os autores da declaração.

    A Rússia não interveio no conflito sírio "enquanto ele era considerado exclusivamente interno", mas atuou de uma forma decidida ao lado do governo sírio quando a organização terrorista Daesh, também chamada Estado Islâmico, proibida na Rússia e nos outros países, "por meio de ações terroristas, e com apoio militar e logístico da inteligência dos EUA, Arábia Saudita e Turquia, conseguiu ocupar um território extenso no norte do Iraque, incluindo sua principal cidade, Mossul", explica o documento.

    Bombas 'boas' e 'más'

    Alem disso, os autores chamam atenção especial para o tema das baixas civis. Do ponto de vista deles, a cobertura deste tema em muitas mídias dos países ocidentais se destaca por uma "focagem unilateral antirrussa", "propaganda" e silenciamento dos crimes cometidos pelas forças antigovernamentais contra a população civil síria.

    "A partir de agosto de 2014, no Iraque, sob as bombas lançadas pela coalizão internacional encabeçada pelos EUA morreram 40 mil civis, um número ao menos 4 vezes maior que o de baixas em Aleppo. Somente em Mossul foram 15 mil as pessoas que morreram", sublinha o documento.

    Durante a evacuação dos combatentes opositores, garantida pelos militares sírios, russos e iranianos, a mídia "mainstream" tem sempre mostrado uma única parte beligerante: a Rússia junto com o Irã frente a seus rivais que se converteram em "vítimas".

    "Porém, quando os ‘rebeldes' incendiaram oito ônibus sírios que chegaram à cidade para os evacuar a eles mesmos e suas famílias de Aleppo, as mesmas mídias, de repente, ficaram quase mudas", afirmam os acadêmicos da Alemanha.

    'Assad não pode se ir embora'

    Os acadêmicos também criticam os países ocidentais e a oposição armada por estes rechaçarem qualquer tipo de negociação com Assad.

    "Para todo o político razoável e com visão do futuro seria absolutamente claro que Assad não poderia renunciar, mesmo se ele o tivesse desejado", opinam os autores.

    "Assad representa todos os grupos religiosos e as minorias da Síria, especialmente os alauitas, cristãos, yazidis e outros, que apoiam Assad devido a sua natureza laica e esperam que ele nem renuncie nem deixe o caminho livre para o Daesh, permitindo-lhe que organize, seguramente, o extermínio maciço das minorias religiosas e dos alauitas", explicaram os pesquisadores alemães.

    A política fatal de mudança de regimes

    Segundo os autores, o que mais surpreende é que a grande mídia nem menciona a "política fatal de mudança dos regimes praticada pelos EUA no Oriente Médio".

    Os chamados "Estados falidos", que são um terreno fértil para a propagação do terrorismo e a principal causa para um fluxo interminável de refugiados, são um resultado evidente de tais políticas, assinalam.

    Em conclusão, os autores expressam sua preocupação pela "nova guerra fria entre as nações ocidentais e a Rússia que parece entrar em uma escalada cada vez maior" e apelam a "todos os grupos sociais para que participem do debate político e, junto com o movimento pela paz, defendam os métodos de prevenção de conflitos e guerras".

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    Tags:
    oposição moderada, guerra midiática, rebeldes, Guerra Civil Síria, Bashar Assad, Irã, Síria, Ocidente, EUA, Rússia
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