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    Caixão com o corpo do embaixador russo, Andrei Karlov, é transportado para o avião, em Ancara, em 20 de dezembro de 2016

    Artigo que justificou morte de Karlov gera repercussão mas autor recusa pedir desculpas

    © REUTERS / Umit Bektas
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    Embaixador russo assassinado na Turquia (48)
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    Vários políticos russos expressaram sua profunda indignação com o artigo escrito por Gersh Kuntzman publicado no jornal norte-americano New York Daily News, onde o autor comparou o diplomata assassinado com o embaixador da Alemanha nazista, Herschel Grynszpan. Apesar de tudo, o colunista recusou pedir desculpas.

    O líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, afirmou na sua página do Instagram que a matéria publicada pelo New York Daily News, justifica taxativamente e "saúda" o assassinato do embaixador russo na Turquia, Andrei Karlov, e "heroifica" o assassino.

    "Após isso, nem o autor da pasquinada, Gersh Kuntzman, nem o editor-chefe do jornal se sentem culpados… É um descaramento sem precedentes, a ausência de traços mínimos de compaixão para com o pesar de outra pessoa, é um apoio público ao terrorismo", adiantou.

    Kadyrov frisou também que os muçulmanos da Rússia e de todo o mundo estão indignados com o assassinato traiçoeiro de Andrei Karlov, enquanto "aqueles que expressaram seu apoio ao terrorismo, fosse de modo aberto ou indireto, não só não têm nada a ver com o islã, mas são os seus inimigos mais encarniçados".

    Дорогие друзья! Граждане нашей страны восприняли убийство Андрея Карлова как личную боль и трагедию. У меня перед глазами до сих пор стоит картина – шайтан достаёт оружие, стреляет в спину, убивает Чрезвычайного и Полномочного посла, затем начинает выкрикивать «Аллаху Акбар». Эти слова, являющиеся основой Ислама, звучали из уст откровенного врага нашей религии. Мусульманин никогда не пойдет наперекор нормам Корана и Сунны Пророка‎ﷺ. Как же относился Пророк к послам (по-арабски – расул)? В известном Хадисе Пророк‎ﷺ сказал, что не задерживает послов, не нарушает договор. Этим Он дал установку, что посол пользуется полной неприкосновенностью, независимо от того, какую страну он представляет. Достоверно известно, что во времена Пророка‎ﷺ, Его асхабов и в последующие столетия уверовавшими не было совершено ни одного покушения на послов. Человек, выстреливший в нашего посла — злейший враг ислама. Его не беспокоила судьба мусульман, он хотел сделать всё, что может, чтобы опорочить ислам. Он выполнял волю и приказ иблисского государства, которое взяло на себя ответственность за теракт. Сегодня не приходится сомневаться в том, что ИГ, как и Аль-Каида, является детищем спецслужб Запада. Американская газета New York Daily News опубликовала материал, в котором прямым текстом оправдывает и приветствует убийство Андрея Карлова, героизирует убийцу. И после этого ни автор пасквиля Герш Кунтцман, ни редактор газеты не чувствуют себя виноватыми. Это беспрецедентная наглость, отсутствие малейших признаков сострадания человеческому горю, публичная поддержка терроризма. Мусульмане России и всего мира с возмущением говорят о коварном убийстве Андрея Карлова, а те, кто прямо или косвенно поддержали убийцу, не только не имеют никакого отношения к исламу, а являются его злейшими врагами! #Кадыров #Россия #Чечня #Карлов

    Фото опубликовано Ramzan Kadyrov (@kadyrov_95) Дек 21 2016 в 3:44 PST

    Outra usuária conhecida das redes sociais, que tem milhões de fãs no Facebook, a pota-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que a chancelaria russa enviaria uma nota de protesto exigindo desculpas oficiais do jornal norte-americano.

    "Gersh Kuntzman, será que você, a sério, está comparando os motivos do estudante judeu Herschel Grynszpan com as ideias que inspiraram Mevlut Mert Altintas?!! Será que se dá conta de que você colocou na mesma lista a luta dos judeus contra antissemitismo, no fim dos anos 30, com os métodos terroristas do Daesh e da [Frente] al-Nusra que reivindicaram o atentado? Para você é a mesma coisa? E quanto aos atentados realizados em Israel por homens-bomba, você também tem uma atitude tão comprometedora, ou até mais?", publicou a diplomata.

    Maria Zakharova também aproveitou a oportunidade para ressaltar que os EUA têm "reescrito" a história do século XX até parecer um absurdo total e apelou:

    "E mais uma coisa. Apelo às organizações antifascistas em todo o mundo para que deem sua avaliação desta matéria! Se for depois, poderá ser tarde demais."

    O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, também se pronunciou sobre o caso e afirmou que tal matéria só poderia ser escrita por uma pessoa que têm uma percepção perversa daquilo "que é o bem e o mal".

    "Infelizmente, há muitas pessoas que estão fora de si, às vezes são completamente malucos, com uma percepção perversa daquilo que é o bem e o mal. Não acho que tais pessoas, e o autor sem dúvida que é um deles, mereçam a mínima referência e serem recordados", explicou ele ao comentar se o Kremlin iria exigir desculpas da publicação.

    Apesar de uma nota de protesto ter sido enviada pela chancelaria russa, Kuntzman não só se recusou a pedir desculpas, mas ainda publicou mais uma matéria na qual sujeitou a uma crítica feroz o presidente russo, Vladimir Putin, e as autoridades russas ao culpá-las de terem violado o direito internacional na Geórgia, Ucrânia, Síria e "outros" locais. Vale ressaltar que o autor não se conteve muito em suas expressões.

    Kuntzman afirmou que o assassinato do embaixador russo aconteceu na sequência da política da Rússia e que o atirador "não foi um terrorista, foi um soldado". Enquanto isso, o jornalista assegura que se manifesta contra o terrorismo e o repudia.

    O jornalista adiantou que tinha recebido "dezenas de cartas de leitores norte-americanos que se opuseram a ele ao lado da Rússia", o que ele considera como uma "tendência alarmante".

    "América, decida de que lado você está — de um guerreiro independente ou da Rússia", eis como o colunista conclui a sua matéria.

    Em resposta ao pedido da agência russa RIA Novosti para explicar porque é que ele considera correto comparar o assassinato do embaixador russo com o do embaixador nazista, Kuntzman respondeu:

    "Claro que as baixas da Rússia na Segunda Guerra Mundial foram inéditas. E sei que a dor permanece. Mas o nosso objetivo, como jornalistas, é não reparar na dor e nos nortearmos por fatos."

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    Tags:
    embaixada, assassinato, jornalistas, Guerra Civil Síria, Segunda Guerra Mundial, Ministério das Relações Exteriores da Rússia, New York Daily News, Daesh, Kremlin, Frente al-Nusra, Andrei Karlov, Maria Zakharova, Ramzan Kadyrov, Dmitry Peskov, Turquia, EUA, Rússia
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