05:50 24 Agosto 2019
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    Bandeira da China (foto de arquivo)

    Por que a China aumenta sua influência na Síria?

    © AFP 2019 / ISAAC LAWRENCE
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    A China intensifica sua participação ativa na normalização da crise síria. O representante especial do governo chinês para a Síria Xie Xiaoyan realizou negociações em Damasco com as autoridades do país e a oposição síria.

    Antes disso, o responsável oficial visitou o Líbano, que se tornou em casa temporária para mais de um milhão de refugiados sírios. Esta já é a segunda missão do alto representante da China nos últimos meses. Em agosto, o representante do Ministério da Defesa chinês responsável pelas questões de cooperação militar internacional, contra-almirante Guan Youfei, realizou negociações em Damasco com o ministro da Defesa sírio Fahd Jassem al-Freij.

    Como resultado do encontro, foi divulgado que a China enviará seus conselheiros militares à Síria.

    Na capital síria, Xie Xiaoyan se encontrou com o vice-primeiro-ministro e chanceler sírio Walid Muallem e outros altos responsáveis oficiais do governo e da oposição síria.

    As fontes oficiais só divulgaram que nestes encontros foi discutida a ajuda humanitária chinesa a Aleppo. O lado sírio, por sua parte, agradeceu Pequim pela posição construtiva da diplomacia chinesa na ONU. Outros detalhes, inclusive os que tem a ver com contatos com a oposição, não foram divulgados.

    A missão do diplomata chinês mostrou a intenção da China de ser parte construtiva na resolução da crise síria, acredita o professor da Academia Diplomática chinesa Ren Yuanzhe. Na entrevista à Sputnik China, o especialista partilhou de seu ponto de vista sobre como o seu país poderia prosseguir para desempenhar este papel.

    Só negociações de paz

    O especialista acredita que o seu país apenas vê uma única via para resolução da crise síria, que é a via pacífica.

    "O papel da China pode se expressar em, primeiramente, iniciar o mais breve possível negociações entre as diferentes partes", disse.

    Quatro pistas para resolver a crise

    De acordo com o especialista, a China poderá oferecer sua visão quanto aos pontos mais importantes do processo de paz. São o que ele classificou como as "quatro pistas":

    "Eles são o cessar-fogo, a ajuda humanitária, a luta contra terrorismo e negociações políticas", explicou.

    Apoio à e da ONU

    Tendo em conta a posição extremamente pacífica chinesa quando a tudo o que acontece na Síria, Yuanzhe acredita que o seu país continuará apoiando a ONU:

    "A China continuará apoiando o papel de liderança da ONU na resolução da crise síria. Em 5 de dezembro, a China apresentou seu veto ao projeto de resolução preparado pelo Egito, Nova Zelândia e Espanha, porque a iniciativa destes países mostrou uma aproximação unilateral ao problema sem considerar os interesses das diferentes partes."

    Ainda de acordo com o professor, o lado chinês conta com o papel da ONU para ter garantias que o organismo internacional não afastará determinados países da resolução do problema da crise síria.

    A visita a Damasco do representante especial do governo chinês para a Síria Xie Xiaoyan foi realizada no ambiente de tensão acrescida entre os EUA e países ocidentais e Damasco, que visam afastar Bashar Assad do poder. A visita do responsável oficial chinês também tinha como objetivo demostrar o apoio de Pequim à liderança de Damasco.

    Quanto a contatos com a oposição síria, a China iniciou os contatos já há um ano – em dezembro do ano passado a delegação da oposição moderada síria visitou Pequim. A iniciativa foi apoiada pela parte russa, que notou que "esta poderia se tornar um elemento significativo na solução multifacetada" do problema sírio.

    Outro especialista entrevistado pela Sputnik China, Adzhar Kurtov, do Instituto de Pesquisas Estratégicas russo, acredita que o maior objetivo do diplomata chinês era a procura de vias de comunicação com a oposição, além da recolha de imagem plena da situação.

    "A China está seguindo muito atentamente os acontecimentos no Oriente Médio. Ela tem importantes interesses econômicos na região, que é vista pelo país como um mercado perspectivo para investimentos. A China tem também aí interesses geopolíticos, relacionados com o aumento da importância do país no mundo em geral", destacou.

    Ele acredita que a paz na Síria e a liquidação, ou pelo menos o enfraquecimento, da ameaça terrorista criada na região é o que faz com que Pequim realize um intenso trabalho diplomático em relação à Síria.

    Mais:

    Jornal chinês: Pequim pode prestar apoio militar aos inimigos dos EUA
    Tags:
    combate ao terrorismo, interesses econômicos, geopolítica, Daesh, Síria, China
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