22:16 10 Dezembro 2016
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    Opep produção

    Mesmo com corte de produção da Opep, era do barril a US$ 100 chegou ao fim

    Haidar Mohammed Ali/AFP
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    Embora ainda não seja oficial, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) já decidiu que cortará a produção do bloco em 1,2 milhão de barris diários como forma de promover um aumento das cotações do barril. Se confirmada a decisão, a produção retornará ao patamarde 32,5 milhões de barris/dia.

    A indicação é que mesmo os países que não fazem parte da organização promovam cortes na oferta. Durante o último encontro da OPEP, realizado em outubro, em Viena, países não pertencentes ao bloco, mas que são grandes produtores, foram convidados a participar da reunião, entre eles Rússia, México, Azerbaijão, Cazaquistão e Omã.

    O Brasil também se fez representar e discordou do corte na produção, alegando que diminuir a oferta não vai resolver o problema dos atuais preços baixos. Seja como for, na avaliação de diversos especialistas, o corte na produção da OPEP vai dar novo fôlego aos preços, mas a era do barril cotado a mais de US$ 100, como há alguns anos, parece ter mesmo chegado ao fim.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, José Mauro de Moraes, coordenador de Estudos da Área de Petróleo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), admite que um corte na produção vai dar um ânimo muito grande à commodity, porque a decisão restaura um pouco a confiança na Opep, que tem 14 membros, de ter um pouco de influência sobre o preço do petróleo. 

    "O preço estava muito baixo. Estava a mais de US$ 110 em 2011 até julho de 2014, depois despencou, foi para US$ 50 e chegou até US$ 30  em janeiro deste ano. Agora voltou para um patamar de US$ 45, US$ 46, US$ 47. Com essa decisão, a oferta de petróleo no mundo diminui e isso tende a subir os preços. Estamos vendo hoje que o preço já subiu de US$ 47 para quase US$ 52 o barril."

    Moraes afirma que o corte na produção da OPEP dará um novo ânimo à Petrobras, mesmo que seja um aumento de 5% a 6%. Segundo ele, apesar disso, não há a obrigatoriedade de que os países membros diminuam a produção em determinado percentual. 

    "Há países, contudo, que estão muito próximos da OPEP, como é o caso da Rússia, que também sofreu muito com essa queda enorme do preço do petróleo nos últimos anos. Então há uma boa vontade da Rússia em colaborar com a diminuição de sua produção diária para tentar também manter os preços um pouco mais altos, mas não é o caso do Brasil, que não precisa aderir de forma alguma e nem vai aderir, porque a Petrobras está numa situação difícil e precisa demonstrar que está com capacidade de aumentar a produção. Ela tem que resolver sua situação financeira e depender menos de empréstimos internacionais."

    Na visão de Moraes, parece não haver mais a mínima possibilidade de os preços voltarem à casa dos US$ 100 o barril. 

    "À época o mundo estava comprando muito petróleo, a China e a Índia eram grandes importadores. China e Europa diminuíram suas compras ao mesmo tempo em que houve um aumento da produção proveniente do óleo de xisto nos Estados Unidos, e com isso o preço do petróleo não volta mais aqueles patamares. O preço em torno de US$ 50, US$ 60 será um preço estrutural que vai prevalecer por muito tempo."

    Por volta de 15h, o petróleo disparava mais de 8%. O petróleo Brent subia US$ 3,76, ou 8,11%, a US$ 50,14 por barril. O petróleo dos Estados Unidos avançava US$ 3,87, ou 8,56%, a US$ 49,10 por barril.

     

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    Tags:
    projeção, demanda, produção, preços, corte, petróleo, IPEA, Petrobras, OPEP, José Mauro de Moraes, Oriente Médio
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