03:23 08 Dezembro 2019
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    Cartazes da Sociedade Marxista da Escola de Economia e Ciência Política de Londres

    Invasão de Trumps, Le Pens e Farages: o que jovens acham da brusca virada à direita

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    Estudantes-membros da Sociedade Marxista da Escola de Economia e Ciência Política de Londres se reuniram à tarde de 16 de novembro para discutir eventuais implicações sociais do resultado das recentes presidenciais norte-americanas.

    Reunindo-se depois de menos de uma semana da vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas, o grupo de estudantes compartilharam suas ideias quanto ao conceito da revolução alternativa que talvez esteja emergindo como resposta àquilo que eles denominam de ‘Trumpismo’.

    Cada vez mais jovens deixam salas de aula para protestar contra vitória de Trump
    © AP Photo / Jon Elswick
    Cada vez mais jovens deixam salas de aula para protestar contra vitória de Trump

    Rob Sewell, editor do jornal britânico Socialist Appeal, proferiu um discurso animado durante esta reunião, ao descrever a vitória de Trump como o “terremoto político” que não só abalou a sociedade norte-americana, mas também espalhou este tremor por todo o mundo.

     

    “Espírito anti-establishment têm-se alastrado pelas sociedades em todo o mundo e a questão que havemos de por perante nós mesmos não é se vai surgir um movimento revolucionário em retaliação, pois já está se desenrolando e somos testemunhas disso, mas se esta revolução dará frutos”, disse Rob Sewell ao público.

    Rob Sewell, editor do jornal britânico Socialist Appeal, discursando na Escola de Economia e Ciência Política de Londres
    © Sputnik / Vin Sharma
    Rob Sewell, editor do jornal britânico Socialist Appeal, discursando na Escola de Economia e Ciência Política de Londres

    Segundo Sewell, o próprio Karl Marx previu a eventual turbulência que provavelmente se alastrará por todas as camadas sociais, devido às estruturas capitalistas, que deixaram de satisfazer às necessidades das pessoas comuns, ao desmoronarem.

    "Vitória de Trump: status quo falido"

    ​Entretanto, Sewell partilha a impressão que Trump, talvez, não seja capaz de concretizar as mudanças que o eleitorado norte-americano espera.

    “A vitória de Donald Trump é como se fosse um mandato para desfazer Washington, e os EUA despacharam algo que pode tanto reformar um sistema já arruinado como destruí-lo de baixo para cima. Talvez isto tenha sido a intenção de muitos que nele votaram”, analisou.

    Um pouco depois, Sewell passou a discutir a inédita desconfiança dos eleitores norte-americanos na campanha de Clinton e observou que muitos cidadãos a viam como um fantoche da Wall Street. Na opinião do analista, Bernie Sanders era o candidato capaz de mudar radicalmente a sociedade norte-americana, tanto que sua campanha atraiu dezenas de milhares de pessoas aos seus comícios por todo o país. 

    Uma enquete, conduzida no início de 2016 pelo YouGov, mostrou que quase todos os eleitores jovens chamados milenares, ou seja, nascidos no fim do século XX, manifestaram sua preferência por Bernie Sanders ao invés de Hillary Clinton, já que gostaram do seu conceito do novo movimento socialista em comparação com o que incorpora antigos elementos capitalistas.  Isto também ajuda a entender por que certas pessoas votaram nos candidatos dos terceiros partidos, tais como Jill Stein e Gary Johnson.

    "Juventude norte-americana começa a resistir a Trump"

    ​Alguns estudantes da Sociedade Marxista da Escola de Economia e Ciência Política de Londres também compartilharam suas opiniões sobre o resultado das eleições.

    “O que evidenciamos é um início do término da agenda liberal e capitalista. Em minha opinião, as bancadas de esquerda fazem com que os grupos da extrema direita ganhem apoio das pessoas em desespero e em busca de mudanças drásticas. É como se a caixa de Pandora social tivesse sido aberta para soltar Trumps, Le Pens [a líder do partido francês Frente Nacional] e Farages [um dos ex-líderes do eurocético Partido de Independência do Reino Unido] no mundo para a política tradicional”, manifestou Adam Booth, um dos organizadores do evento.

    Mas nem todos partilharam estas ideias. Um estudante da Política Internacional de outra universidade de Londres sugeriu que talvez Donald Trump possa encorajar a transição para o capitalismo mais consciente que busca introduzir mudanças positivas na sociedade.

    “Pode ser que a transição necessária para a sociedade venha de uma vertente revisada do capitalismo. Talvez o fato de nós recuarmos um pouquinho para a cultura mais nacionalista consiga lidar com os desequilíbrios que muitos encontram na sociedade norte-americana, por exemplo. Não precisamos experimentar uma nova forma de socialismo, considerando-a como a única alternativa à realidade”, disse ele em entrevista à Sputnik Internacional.

    Panfletos da Sociedade Marxista da Escola de Economia e Ciência Política de Londres
    © Sputnik / Vin Sharma
    Panfletos da Sociedade Marxista da Escola de Economia e Ciência Política de Londres

    Rob Sewell terminou seu discurso com um apelo global à ação, destacando a importância de a juventude internacional se reunir para lutar pela melhoria do futuro da geração:

    “Temos que nos unir para organizar uma revolução alternativa. Tudo do que precisamos hoje é a revolução social no mundo que geraria efeito dominó para que outros sigam o exemplo. Estamos todos no mesmo barco e, em todo o mundo, a humanidade conta com pessoas boas a se reunirem e recusarem status quo antes que seja tarde demais”, afirmou.  

    “Por enquanto, tempestades revolucionárias estão chegando… E precisamos estar preparados para elas!”, concluiu.

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    Tags:
    sociedade, extrema direita, novo governo, juventude, prognóstico, discussão, universidade, revolução, socialismo, eleições nos EUA, Marine Le Pen, Nigel Farage, Hillary Clinton, Donald Trump, Europa, Londres, EUA
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