23:00 19 Outubro 2021
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    Já que o presidente recém-eleito dos EUA, Donald Trump, tomará posse daqui a alguns meses, a União Europeia tem de escolher entre a OTAN e seu próprio exército, disse à Sputnik Internacional o perito em segurança europeia e relações transatlânticas, Peter van Haman.

    Em entrevista à Sputnik Internacional, Peter van Haman, acadêmico da segurança europeia e relações transatlânticas, afirmou que após os britânicos terem decidido sair da EU e Donald Trump ter sido eleito presidente norte-americano, a União Europeia há de escolher entre a OTAN e suas próprias forças militares.

    A entrevista foi ao ar depois de os países da UE terem aprovado os planos para ampliar cooperação militar com o bloco. Na segunda-feira (14), os ministros da Defesa e das Relações Exteriores europeus acordaram em avançar na proposta de criação de uma organização conjunta de planejamento. Um novo órgão será encarregado de supervisionar as manobras e aumentar o uso das existentes unidades militares como resposta à crise do bloco.

    Segundo dizem os ministros, isto poderia reforçar o papel estratégico global da UE e a capacidade autônoma de agir quando necessário.

    Ao falar com a Sputnik, Peter van Haman, que também é professor convidado no Colégio da Europa em Bruges, na Bélgica, sublinhou as “ambições de longa data” de Bruxelas quanto à segurança coletiva europeia.

    Entretanto, apenas “avanços discretos foram alcançados”, manifestou, ao adiantar que “a verdadeira questão não consiste em aquilo que foi declarado, mas no que está acontecendo na vida real”.

    Levando em consideração o fato de Donald Trump assumir suas funções daqui a alguns meses e a contínua instabilidade junto às fronteiras europeias, deve surgir necessidade geopolítica de não somente dar declarações, mas pô-las em prática, frisou Peter van Haman.

    “Há coisas que evidenciamos ao longo das décadas. A União Europeia tem ambição de se tornar em ator político tanto regional como global, e para isto são necessárias capacidades de defesa autônomas. Porém, a maioria dos Estados-membros também faz parte da OTAN, o que gera problemas”, disse.

    O perito acrescentou que todos estes países-membros querem uma operação militar europeia e, ao mesmo tempo, a liderança norte-americana [no domínio da defesa].

    “Até há pouco tempo, parecia que eles podiam conseguir ambas as variantes, mas com a administração de Trump [que logo tomará posse] eles terão de escolher, e este já é um assunto muito delicado”, sublinhou.

    O Reino Unido impediu várias vezes uma série de propostas sobre ampliação da cooperação militar dentro da UE, preferindo o reforço da segurança regional através das forças da OTAN.

    Entretanto, a recente decisão britânica de deixar a União Europeia, bem como a vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas, deu novo ímpeto a qualquer um destes planos.

    No decorrer da sua campanha eleitoral, Trump questionou com frequência a viabilidade da OTAN e sugeriu condicionar o apoio militar norte-americano às despesas europeias com a segurança. Se for posto em prática, isto pode levar a região a criar suas próprias capacidades militares da União e aumentar respectivas despesas.

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    Tags:
    Europa, EUA, Reino Unido, Bruxelas, Donald Trump, OTAN, UE, exército europeu, cooperação militar, bloco, aliança militar
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