09:21 28 Maio 2017
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    Cidade síria de Deir ez-Zor (arquivo)

    Especialistas: China e Rússia estão juntos na Síria

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    Na Síria há um tandem estratégico forte e sustentável da Rússia com a China, opinam especialistas russos.

    Segundo eles, alguns aspetos da cooperação russo-chinesa na Síria podem ser discutidas pelos líderes dos dois países nas margens da cúpula do BRICS em Goa (Índia).

    Os especialistas russos comentaram a recente declaração do vice-ministro do Exterior chinês Li Baodong sobre o fato de os dois países terem o mesmo ponto de vista da situação no Afeganistão e na Síria. Em 10 de outubro, em Pequim, o alto diplomata declarou também que o presidente chinês Xi Jinping tem planos de realizar um encontro com o seu homólogo russo Vladimir Putin nas margens da cúpula do BRICS, durante a qual os dois políticos devem discutir os temas mais importantes da agenda internacional e regional.

    Baodong destacou também que, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia já coordenam suas posições em questões globais e regionais. Assim, no fim da semana passada a China votou no Conselho de Segurança duas resoluções sobre a Síria contra o projeto francês, e esse projeto não foi adotado porque a Rússia usou seu direito de veto. Logo após considerar o projeto francês, o Conselho deveria votar no projeto proposto pelo lado russo. Em 9 de outubro, o documento foi enviado para ser analisado pelo enviado especial da ONU à Síria Staffan de Mistura. Ele tinha a ver com a retirada dos militantes da Frente al-Nusra (grupo proibido na Rússia) de Aleppo e com os acordos entre a Rússia e EUA relativamente à Síria.

    A China apoiou o projeto russo juntamente com a Venezuela e Egito, que representa no Conselho de Segurança o Oriente Médio e o Norte de África. O projeto não recebeu o número necessário de votos e não foi adotado.

    O representante permanente da China na ONU Liu Jieyi se mostrou desapontado pelo fato de o projeto de resolução relativamente a situação na Síria proposto pela Rússia não ter sido adotado pela entidade internacional.

    Em entrevista à Sputnik China, o diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Pequim Jia Lieying disse que a Rússia e a China defendem uma posição coordenada na ONU relativamente à Síria.

    "O que vemos agora é apenas a continuação da tendência para apresentação de posições unânimes. A China e Rússia se opõem de forma unânime à derrubada do poder político no país, trabalham para garantir que os problemas internos sejam resolvidos, no que diz respeito à situação nesse país e que não haja interferência nos assuntos de qualquer país sob pretexto da defesa dos direitos humanos", disse o especialista.

    Ele considera também que o trabalho conjunto russo-chinês ajudará a resolver a crise síria.

    Os observadores da situação política na região também chamam a atenção para o fato de a China reforçar seu papel na regularização do problema sírio.

    O especialista em Oriente Médio Stanislav Tarasov referiu a esse respeito as informações divulgadas pela mídia ocidental de que na Síria já estão presentes conselheiros militares chineses:

    "Claramente, está sendo realizada uma comparação, conciliação e coordenação de ações relativamente à Síria entre a Rússia e a China. Os representantes dos dois países agem em conjunto no Conselho de Segurança da ONU, sem mencionar os diferentes fóruns", disse à Sputnik.

    O especialista destaca que os projetos russo-chineses têm a ver com a manutenção da integridade territorial da Síria e, caso isso seja feito, a experiência poderá ser aproveitada em outros países da região como o Iraque, Iêmen, Líbia e Afeganistão.

    Tarasov pensa que a coordenação de posições entre os dois países permite agir na arena internacional de forma mais decisiva.

    O especialista russo em questões militares Vladimir Evseev partilhou com a Sputnik a ideia de que o líder chinês Xi Jinpíng e o presidente russo Vladimir Putin discutirão entre 15 e 16 de outubro em Goa os pormenores dos passos conjuntos na Síria.

    "A China tem interesses multifacetados na Síria. Em primeiro lugar, o reinício da exploração do petróleo, que antes da guerra foi controlada de forma significativa pelo lado chinês. Segundo, é a obtenção de experiência militar. A Síria, de fato, é o único lugar em que a China pode treinar e obter experiência de combate, tanto relativamente à força aérea como às tropas terrestres e sobretudo às forças especiais", disse.

    Os interesses chineses na região também incluem o fato de o país se posicionar como centro global de poder, destacou também o especialista russo.

    Tags:
    cooperação, Conselho de Segurança da ONU, Xi Jinping, Vladimir Putin, Síria, China, Rússia
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