18:29 22 Outubro 2020
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    "Apesar de beligerância inegável de Moscou, os Estados Unidos e a Rússia continuam partilhando interesses comuns significativos", escreveu o jornal americano The National Interest nesta quarta (22). Eles cooperam de forma limitada, mas importante, na área de contraterrorismo, não proliferação de armas nucleares e questões econômicas globais.

    Por mais que Moscou se queixe os elementos da ordem mundial que considera perigosos, tais como a promoção da democracia pelos EUA no leste da Europa, os russos estão enfatizando que o sistema das Nações Unidas deve ser aplicado a todos os países, incluindo os Estados. Mas a Rússia não está tentando quebrar a ideologia comum sobre a ordem mundial, e ninguém se preocupa com as ambições russas para empurrar divisões de tanques por toda a Europa.

    ​Neste contexto, continuar mantendo a Rússia envolvida em elementos da ordem mundial permitirá reforçar a base de normas e regras internacionais, em vez de se usar de um sistema unipolar com centro nos EUA. A ordem mundial, baseada em regras, pode ajudar a definir as formas de cooperação com o país, buscando seu status nas relações internacionais. A ordem pode orientar as ambições de Moscou no sentido da competitividade e restringir o poder nacional.

    Alguns vão dizer que o momento para incluir a Rússia na estrutura de qualquer tipo de ordem mundial já passou. A tentativa de administração de Obama, que tentou "reiniciar" as relações, fracassou. As recentes declarações e comportamento de Moscou mostram que chegou o momento para iniciar a detenção e excluir a Rússia do quadro internacional.

    Tem algum sentido nisso. A hostilidade da Rússia para com o Ocidente já não pode ser negada. Mas a hostilidade nasceu como parte do medo e da suspeita que os Estados Unidos têm usado a era pós-Guerra Fria para enfraquecer a Rússia. Como a China, a Rússia merece uma posição respeitada dentro de uma ordem mundial estável e não o papel de desordeiro odiado.

    John Kerry, John Tefft e Victoria Nuland no Arbat
    © Sputnik / Serviço de imprensa da embaixada dos EUA na Rússia
    Para ter certeza, que a incorporação da Rússia na nova ordem mundial será um desafio. O país se tornou intensamente suspeito das propostas ocidentais. As normas e regras da ordem mundial não vão sobreviver se se desculpar todas as transgressões de Moscou. E os esforços podem fracassar, em particular, em relação às questões relacionadas com os interesses da Rússia que contradizem diretamente as normas da ordem mundial, tais como a autodeterminação perto das suas fronteiras. No entanto, a tarefa continua a ser urgente, porque a alternativa é uma Rússia cada vez mais irritada, o que, se ela estiver fora da ordem, seria muito mais perigoso para os interesses dos EUA.

    Presidente da Rússia Vladimir Putin e presidente dos EUA Barack se encontram às margens da 70ª da Assembleia Geral da ONU, em Nova York
    © Sputnik / Sergey Guneev/POOL
    Presidente da Rússia Vladimir Putin e presidente dos EUA Barack se encontram às margens da 70ª da Assembleia Geral da ONU, em Nova York

    Neste contexto, a ênfase nas relações com a Rússia poderia ser feita no diálogo, uma vez mais reiniciado, e na cooperação sobre questões de interesse mútuo. Isso vai exigir que os Estados Unidos deixem a prática de promoção das "revoluções coloridas" e outras formas de promoção expansionista dos seus valores. Mas, talvez, acima de tudo, isso exija dar a Moscou a possibilidade de participar em decisões-chave dentro da ordem mundial. O que, por sua vez, levará a compromissos com a Rússia sobre uma série de questões em que a política externa dos EUA sempre tem sido intransigente.

    O novo impulso para que Moscou tome o assento à mesa da ordem mundial deve ser mais gradual do que poderia ter sido uma década atrás. A hostilidade de Putin em relação ao Ocidente e o comportamento recente da Rússia podem levar a quaisquer consequências dramáticas. Mas os Estados Unidos ainda podem encontrar maneiras de oferecer à Rússia mais poderes na ordem mundial e acomodar os interesses russos onde for possível, desistindo da estratégia de fazer tudo a partir de uma posição de força. Essa tarefa em relação à Rússia certamente se vai tornar na tarefa mais importante para os EUA para o estabelecimento de um equilíbrio mais sólido na era moderna.

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    Tags:
    diálogo, ordem mundial, parceria, diplomacia, rivais, Nações Unidas, The National Interest, Barack Obama, Vladimir Putin, Ocidente, Washington, Moscou, EUA, Rússia
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