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    Nas margens do Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo, que se realizou entre 16 e 18 de junho, o presidente russo Vladimir Putin deu uma entrevista à agência chinesa Xinhua nas vésperas da sua visita à China marcada para 24 de junho.

    Relações russo-chinesas

    Presidente da China, Xi Jinping, durante um discurso na Coreia do Sul, em 2014
    © Fotobank.ru/Getty Images / SeongJoon Cho
    O primeiro assunto abordado na entrevista foi a interação entre os dois países. Putin disse que a China e a Rússia anunciaram a construção de novas relações ainda 25 anos atrás e durante o tempo percorrido desde então conseguiram atingir um nível de cooperação sem precedentes. Segundo o líder russo, chamar os laços bilaterais somente de interação estratégica não é bastante.

    "Por isso começamos a falar sobre a parceria universal e interação estratégica. Universal significa que trabalhamos em conjunto praticamente em todas as áreas importantes. A [interação] estratégica significa que atribuímos a isso uma grande importância interestatal", afirmou.

    O presidente russo notou também que as relações com o presidente chinês Xi Jinping são um motor da interação. Entretanto, disse Putin, os encontros regulares não são bastantes para o desenvolvimento bem-sucedido das relações. Foram criadas numerosas comissões bilaterais que estreitam os laços bilaterais.

    "Nem sempre conseguimos chegar a acordo sobre assuntos difíceis mas abordamos todos eles, por mais complexos que sejam, tendo em conta o nosso objetivo comum – o objetivo de desenvolver a nossa cooperação e sempre encontramos uma solução", disse.

    Segundo Putin, agora o objetivo principal é desenvolver a cooperação diversificada visando aumentar a parte relacionada a altas tecnologias.

    Interação na área da energia

    Putin destacou que a Rússia e a China têm projetos conjuntos no espaço, na aviação. Agora os dois países estão elaborando um avião de fuselagem larga e helicóptero pesado. Há projetos na área energética, inclusive na energia atômica. Putin destacou que a China aumenta a sua presença no mercado energético russo. Por exemplo, tem ações em projetos de gás e indústria química.

    "Saudamos estes investimentos chineses não somente como recursos financeiros, mas também como um fator que aprofunda a nossa parceira", afirmou Putin.

    O líder russo afirmou que a Rússia e a China desenvolvem o projeto conjunto de gasoduto Sila Sibiri (Força da Sibéria) através do qual a Rússia fornecerá gás para a China no volume de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.

    Projeto de Rota da Seda

    O presidente russo considera que a iniciativa de restaurar a ideia de Grande Rota da Seda é moderna, interessante e visa alargar a cooperação com todos os países, em primeiro lugar os países vizinhos.

    "Estamos realizando negociações em duas direções – a nível bilateral entre a Rússia e a China e entre a União Econômica Euroasiática e a China", sublinhou o líder russo.

    Conforme Putin, ele e os seus colegas da organização de integração discutiram este assunto e manifestaram-se a favor de cooperar com a China no âmbito de Cinto econômico da Rota de Seda.

    O presidente da Rússia disse que tais assuntos exigem uma avaliação técnica, mas "o caminho geral de desenvolvimento da economia mundial e a nossa interação com a China deve resultar no levantamento de forma gradual de todas as barreiras, para assegurar o trabalho aberto conjunto".

    "Em resultado, isso pode levar <…> à criação de uma zona de livre comércio", frisou o líder russo.

    Com certeza, na primeira etapa é impossível evitar algumas restrições, mas é necessário definir a direção de desenvolvimento, disse Putin. Por isso a Rússia aspira a desenvolver a chamada cooperação na Eurásia, que atrai a atenção de mais e mais países.

    Cooperação na SCO

    Respondendo à questão sobre o futuro da Organização de Cooperação de Xangai (SCO na sigla inglesa) Putin disse que no momento da sua criação os objetivos da organização foram a regularização dos assuntos de cooperação fronteiriça.

    "A Rússia, a China e outros membros da SCO resolveram todos os assuntos que colocaram nesta área partindo de princípio de boa vontade. Tornou-se claro que não podemos perder tal mecanismo <…>", disse Putin.

    Os países começaram a usá-lo para cooperação em tais áreas como a política, infraestrutura, segurança, trafego de drogas e etc. Isso assegurou o interesse pela organização na região e na cúpula em Ufa no ano passado foi decidido aceitar a Índia e o Paquistão como novos integrantes.

    "<…> A aceitação na nossa organização de países com várias atitudes e visões sobre os diversos problemas internacionais, com certeza, não resolve os problemas, mas cria condições para a sua resolução", disse o presidente Putin.

    Contribuição da Rússia e China para os assuntos internacionais

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prepara-se para um encontro informal com os líderes dos BRICS no âmbito da cúpula do G20 em Antalya, em 15 de novembro de 2015
    © AP Photo / Alexander Zemlianichenko
    Respondendo à questão sobre esforços que a China e a Rússia poderiam desenvolver para reformar o sistema de governação global Putin disse:

    "Sabe, o próprio fato de cooperação entre a China e a Rússia no palco internacional hoje é um fator de estabilidade nos assuntos internacionais".

    Putin recordou o discurso do presidente chinês no 70º aniversário de fundação da ONU. "Este discurso visou resolver todos os assuntos controversos por meios pacíficos, com base em direito internacional". O presidente chinês foi um dos que se expressou disposto a ajudar os que necessitam.

    "São tais atitudes que nos unem nos assuntos internacionais e não somente a proximidade geográfica entre os dois países", disse.

    Além dos trabalhos no âmbito da SCO, Putin destacou a cooperação no bloco BRICS que os dois países "criaram em conjunto".

    Putin expressou a sua satisfação por, algum tempo atrás, a União Soviética ter feito tudo o possível para que a China fosse membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e por agora as visões dos dois países na política internacional frequentemente coincidirem. É de realçar o fato de os interesses comuns serem consolidados pelo intenso trabalho conjunto.

    Antecipando a sua visita à China, Putin disse que "a agenda é gigantesca ou colossal. Por isso, espero que tenhamos negociações substanciais, ricas" em uma atmosfera de amizade e confiança mútua.

    Tags:
    energia, visita, relações bilaterais, cooperação, Organização de Cooperação de Xangai (SCO), Vladimir Putin, China, Rússia
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