15:26 18 Fevereiro 2018
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    Vladimir Putin e Vice príncipe herdeiro e ministro da Defesa da Arábia Saudita Mohammad bin Salman Al Saud

    Diferentes como o dia e a noite: porque Moscou e Riad não podem encontrar o meio-termo?

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    As abordagens de Moscou e Riade aos desafios econômicos e geopolíticos são distintos, e seus objetivos reais parecem completamente incompatíveis, indica o analista Nikolai Pakhomov.

    Embora a Rússia e a Arábia Saudita façam esforços para criar relações mutuamente benéficas, seus objetivos no mercado energético e na política do Oriente Médio se distinguem em sua essência, disse o analista político de Nova York e especialista russo do Conselho de Assuntos Internacionais.

    "As tensões existentes entre Moscou e Riade têm duas dimensões principais. As posições russa e árabe se diferenciam, em primeiro lugar, relativamente aos fundamentos da energia global e, em segundo lugar, quanto ao contraterrorismo. Ambas as dimensões têm fatores que eliminam o entendimento por completo relativamente a estas diferenças", escreveu Pakhomov no seu artigo para o The National Interest.

    Enquanto Moscou está interessada no congelamento da produção do petróleo pelos países da OPEP, o comportamento de Riade nas negociações de abril, em Doha, mostrou de forma transparente que a Arábia Saudita coloca sua competição com o Irã como prioridade relativamente aos interesses dos produtores globais do petróleo.

    Ministro da Defesa da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud
    © AFP 2018/ ALAIN JOCARD
    Ministro da Defesa da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz al-Saud

    Para ilustrar a posição de Riade neste assunto, o analista refere as palavras de Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, que disse à agência Bloomberg que "não está preocupado com as flutuações dos preços do petróleo".

    "Se eles crescerem, isto significa mais dinheiro para investimentos não petrolíferos. Se eles diminuírem, a Arábia Saudita, o produtor com os custos mais baixos do mundo, pode expandir no crescente mercado asiático", escreveu a agência em abril, 2016, citando o príncipe.

    Poder-se-ia dizer que as palavras do príncipe árabe não são sinceras, pois a própria Arábia Saudita está sofrendo muito com a queda dos preços para o petróleo, mas as ações de Riade mostram o contrário.

    Neste contexto a Rússia, para resolver essas contradições, saudou a criação do Fórum dos Países Exportadores de Gás (GECE, na sigla inglesa), que se tornou, segundo o analista, numa organização energética internacional bem sucedida que se distingue muito da OPEP.

    "Enquanto a OPEP foi criada como um cartel, promovendo os interesses dos exportadores contra os dos importadores, a GECE se destina a aprimorar a eficiência da produção global de gás através do diálogo entre profissionais", destacou Pakhomov.

    Além disso, também devemos ter em conta a diferente abordagem dos dois países do problema do contraterrorismo.

    "O fato de os árabes apoiarem os grupos jihadistas na Síria foi por algum tempo um segredo público. Mesmo agora parece que a Arábia Saudita e a Turquia querem consolidar esses grupos na Síria em uma estrutura unida sob o nome de Jaish al-Fatah (forças de conquista). Por coincidência, o líder da al-Qaeda, Ayman al-Zawahri também apelou para esse tipo de consolidação", sublinhou Pakhomov.

    As preocupações da Rússia não são infundadas: a divisão Wahhabi do Islã domina na Arábia Saudita, e está bem documentado que os pregadores wahabitas cooperaram com terroristas não só no Oriente Médio, mas também no norte do Cáucaso, particularmente no Daguestão".

    Num tempo em que a Rússia e a Arábia Saudita estão tentando cuidadosamente evitar uma confrontação, é óbvio que seus objetivos no Oriente Médio são diferentes.

    "O futuro vai mostrar de que maneira esta competição vai influenciar as relações internacionais", concluiu Pakhomov.

    Tags:
    competição, petróleo, OPEP, Mohammed bin Salman, Oriente Médio, Irã, Arábia Saudita, Rússia
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