00:32 19 Julho 2019
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    Jens Stoltenberg, secretário-geral da OTAN

    Contradições da OTAN: sim às armas nucleares, não à Guerra Fria

    © REUTERS / Arnd Wiegmann
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    Os aliados não querem um confronto ou uma nova Guerra Fria com a Rússia, afirma o secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg.

    A OTAN não está à procura de um confronto com a Rússia e não quer uma nova Guerra Fria, disse Jens Stoltenberg, em entrevista ao Die Welt.

    "Nós não estamos procurando um confronto com a Rússia. Nós não queremos uma Guerra Fria. Nós não queremos uma corrida armamentista", disse Stoltenberg.

    Ele acrescentou que a ação da OTAN na Europa de Leste é uma resposta às ações da Rússia na Crimeia e no Leste da Ucrânia. No entanto, Stoltenberg disse que não vê na Rússia a intenção de atacar qualquer dos países da aliança.

    Navios militares da OTAN participam dos exércicios no mar Negro, 16 de março de 2016
    © AFP 2019 / DANIEL MIHAILESCU
    Respondendo a uma pergunta sobre se vê necessidade de rever a estratégia nuclear do bloco em relação à Rússia, Stoltenberg, disse que a OTAN "mais do que nunca está longe do uso de armas nucleares, mas enquanto elas [armas nucleares] existirem no mundo, a OTAN continuará a ser uma aliança nuclear".

    Anteriormente, o comandante supremo das forças da OTAN na Europa, Philip Breedlove, pediu aos EUA para que reforçassem os serviços de informações devido às ações da Rússia. Breedlove declarou a necessidade de usar as tecnologias mais modernas, em particular, os satélites de informações que monitorizam o movimento de tropas.

    "O que estamos fazendo agora no Báltico e na Polônia não é um aumento das forças militares", disse Stoltenberg na entrevista, destacando, também, que não vê da parte da Rússia "intenções de atacar qualquer um dos países da OTAN".

    Eurofighter Typhoon das forças armadas britânicas
    © Foto : UK Ministry of Defence
    Em fevereiro de 2016, Jens Stoltenberg informou que os ministros da Defesa dos 28 países da OTAN aprovaram a decisão de intensificar a presença da aliança na região da Europa Oriental, Bacia do Mediterrâneo e Mar Negro. Ele comunicou também que as decisões concretas seriam tomadas na cúpula de julho de 2016, em Varsóvia. Stoltenberg também não descartou a possibilidade de realizar mais um encontro OTAN-Rússia antes das negociações em Varsóvia.

    "É importante que mantenhamos abertos os canais para o diálogo político e encontremos novos caminhos para diminuir a tensão e prevenir problemas", disse o secretário-geral da aliança.

    Logo depois da publicação desta entrevista, o presidente do Comitê para as Relações Exteriores da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Aleksei Pushkov, em resposta às declarações de Stoltenberg, publicou o seguinte:

    ​"A OTAN não quer confrontos com a Rússia, Guerra Fria, corrida armamentista, disse Stoltenberg, mas aproxima as estruturas da aliança às fronteiras da Rússia"

    Aleksei Puskov vê, pois, contradições entre as ações e as palavras do líder da aliança.

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    Tags:
    aliança, arma nuclear, corrida armamentista, OTAN, Jens Stoltenberg, Aleksei Pushkov, EUA, Rússia
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