21:49 21 Abril 2021
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    Apesar de fato de que Arseny Yatsenyuk anunciou a sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro ucraniano no domingo (10), isso pode ser um elemento do grande jogo político e Yatsenyuk poderá permanecer como um dos líderes da Ucrânia, afirmou o blogueiro político ucraniano Dennis Schedrivy em entrevista à rádio Sputnik.

    Na sua opinião, quando se trata da Ucrânia a única coisa clara é que nada é claro.

    “Penso que devemos compreender que tudo isto é uma parte de um grande jogo. Isso não é a primeira vez que Yatsenyuk tenta [demitir-se]”, disse Schedrivy à rádio Sputnik.

    Sim, ele pode ter pedido a demissão, mas o presidente ucraniano Petr Poroshenko e a Suprema Rada (parlamento ucraniano) ainda têm de aprovar a demissão para que entre em vigor, acrescentou o blogueiro.

    Um outro aspeto importante é que nada na Ucrânia acontece sem autorização de forças externas, dos EUA em particular, que controlam a política ucraniana.

    “O nível de controlo externo do país é sem precedentes e algo que acontece na Ucrânia deve corresponder ao que o controle externo quer que aconteça na Ucrânia”, explicou Schedrivy dizendo que,  até que o governo norte-americano aprove o passo de Yatsenyuk, nada está decidido.

    Além disso, tornou-se público que no domingo (10) o vice-presidente norte-americano Joe Biden realizou uma conversa telefónica com Yatsenyuk na qual agradeceu o primeiro-ministro ucraniano pelo seu trabalho e expressou a esperança de que, mesmo depois da sua demissão, Yatsenyuk continuará a participar da realização de reformas relacionadas com a associação ucraniana com a União Europeia e as recomendadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

    A mídia local menciona que o próximo primeiro-ministro ucraniano pode ser o presidente da Suprema Rada, Vladimir Groysman. Schedrivy disse que, se Groysamn se tornar  primeiro-ministro, isso será benéfico para Poroshenko porque Groysam é o seu aliado político muito próximo.

    Arseni Yatseniuk, primeiro-ministro da Ucrânia
    © AP Photo / Geert Vanden Wijngaert
    As relações entre Poroshenko e Yatsenyuk recentemente se tornaram muito tensas. Em fevereiro, o Bloco de Petr Poroshenko (o partido político liderado pelo presidente ucraniano) disse que os resultados do governo de Yatsenyuk foram insatisfatórios e apoiou a ideia de dissolver o governo. Em resultado, foi votada uma moção de confiança, mas o governo Yatsenyuk sobreviveu.

    Além de Groysman, a ministra da Fazenda do país, Natalia Jaresko, que nasceu e cresceu nos Estados Unidos, também anunciou o seu desejo de assumir o cargo.

    A incógnita em torno de quem será o novo primeiro-ministro ucraniano deverá suscitar bastantes paixões. Entretanto, segundo Schedrivy, é pouco provável que algo mude no país com o novo premiê.

    Tags:
    opinião, controle, governo, renúncia, primeiro-ministro, Pyotr Poroshenko, Arseny Yatsenyuk, Ucrânia
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