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    Bandeira síria esvoaçando enquanto os carros seguem por ponte durante a hora de ponta, Damasco, Síria, 28 de fevereiro de 2016

    Ex-comandante da OTAN: Síria deveria ser dividida

    © AP Photo / Hassan Ammar
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    O ex-almirante dos EUA e ex-comandante supremo da OTAN, James Stavridis, disse acreditar que a nação síria é uma ‘ficção’ e é ‘quase impossível’ restabelecer o país, portanto já seria tempo de contemplar uma divisão da Síria.

    O ex-oficial, que hoje atua como reitor da faculdade de direito e diplomacia norte-americana Fletcher Tufts University, escreveu em artigo publicado na revista Foreign Policy, que apesar do cessar-fogo em vigor, a guerra na Síria "não está indo a nenhum lugar" e gera cada vez mais vítimas diariamente.

    Com toda a miséria na Síria, provocada pela guerra civil, torna-se cada vez mais evidente que "a Síria como uma nação é uma ficção", disse Stavridis. De acordo com o ex-militar, enquanto o governo não controla grandes partes de seu território, a probabilidade de restaurar o país em "uma entidade que funciona" parece baixa.  

    Stavridis observou que as fronteiras da Síria são conhecidos por sua natureza arbitrária. Parte das razões para o atual conflito vem da existência de várias religiões e etnias no país, o que é resultado da divisão de influência entre a França e o Reino Unido no início do século XX.

    A opção de dividir um país tem seus riscos e complicações e é muitas vezes rejeitada pela comunidade internacional. Mas a mesma possibilidade deve ser discutida para aliviar o conflito e fazer avançar as negociações, diz o ex-almirante.

    Vários especialistas teorizam sobre os diferentes estágios da divisão, de acordo com Stavridis. As regiões alawitas de Damasco e seus arredores poderiam continuar sob o controle de Bashar Asad e seus sucessores. O centro do país, com destaque para a maioria sunita, poderia consolidar-se após a eliminação do Daesh e dos movimentos ligados à Al-Qaeda (organizações terroristas proibidas na Rússia e em outros países). Finalmente, um enclave curdo poderia aparecer no leste.

    "É claro que o método de dividir o país pode variar de uma completa separação (semelhante ao caso da Jugoslávia), um tipo de sistema federativo tipo a Bósnia e Herzegovina, e até elementos de federação presentes no Iraque", disse o ex-comandante supremo.

    No entanto, ele destaca que é necessário neutralizar as complicações de uma possível divisão. A separação de um país seria "um precedente" para as minorias em diferentes países, que poderiam interpretar esse cenário como uma ameaça para si. Além disso, é sempre difícil de negociar uma separação, visto que todas as partes muitas vezes ficam insatisfeitos com o resultado final. Mas de acordo com o ex-almirante, apesar de todas as probabilidades, a divisão da Síria iria aliviar o conflito e "separar os beligerantes".

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    Tags:
    divisão, cessar-fogo, conflito, Foreign Policy, Daesh, Síria
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