14:31 24 Setembro 2018
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    Confrontos entre policiais e manifestantes pró-europeus no Maidan em Kiev, na Ucrânia

    ‘Atirei na nuca’: Radical ucraniano confessa que matou policiais no Maidan

    © Sputnik / Andrei Stenin
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    Apesar da opinião comum os primeiros mortos em 20 de fevereiro de 2014, dia mais sangrento durante a revolução ucraniana, não foram os ativistas do Maidan, mas sim os policiais da unidade especial ucraniana Berkut. O ativista da cidade de Lvov Ivan Bubenchik foi quem atirou contra eles.

    20 de fevereiro de 2014 é uma data muito importante na história da Ucrânia. Naquele dia nas ruas de Kiev foram mortos 48 manifestantes e 4 policiais. Logo depois o presidente Viktor Yanukovich fugiu do país; em seguida aconteceu a reunificação da Crimeia com a Rússia e guerra em Donbass.

    Porém, na manhã de 20 de fevereiro tal cenário parecia ficção porque após violentos confrontos que tinham durado dois dias e já tinham levado a vida de 31 manifestantes e oito policiais, as forças da polícia conseguiram reduzir consideravelmente a área de protesto no centro de Kiev e estava prestes a derrotar o movimento pró-europeu Maidan.

    Ivan Bubenchik contou à edição on-line Bird in Flight que “cedo de manhã em 20 de fevereiro chegou um rapaz e trouxe um fuzil de assalto Kalashnikov em uma bolsa para raquete de tênis e 75 cartuchos”.

    O radical pegou a arma e entrou no edifício de Conservatório de Kiev localizado na praça de Independência (Maidan Nezalezhnosti, em ucraniano) onde ficavam o campo dos manifestantes e as posições da polícia e aproximou-se da janela mais próxima aos redutos policiais.

    “Eu escolhi aqueles que davam ordens. Não podia ouvir, mas vi os gestos. A distância foi pequena e por isso só dois cartuchos foram precisos para dois comandantes… Dizem que os matei atirando na nuca e é verdade. Assim se deu porque estavam de costas para mim. Não tinha possibilidade de esperar que eles se voltassem”, contou Bubenchik.

    Depois disso o radical saiu do edifício e tentou criar a aparência de que os manifestantes tenham muitas armas para fazer a polícia cair em pânico e fugir.

    “Não era preciso matar outros [policiais], somente podia feri-los nos pés, saí do Conservatório e comecei a me mover ao longo das barricadas. Disparava criando aparência de termos 20-40 fuzis de assalto”.

    O plano dele deu certo – a polícia recuou permitindo os manifestantes a tomarem vantagem tática.

    O radical não lamenta ter atirado contra policiais que não o viam:

    “As minhas vítimas são criminosos, inimigos. Eu devo falar para que outras pessoas saibam o que fazer com os inimigos”.

    A crise política eclodiu na Ucrânia em novembro de 2013, quando as autoridades do país anunciaram a intenção de suspender o seu processo de integração europeia. Os protestos que começaram em Kiev, apoiados pelo Ocidente, levaram a um golpe de Estado em 22 de fevereiro de 2014, forçando o então presidente Viktor Yanukovych a fugir do país.

    Dois meses depois, Kiev lançou uma operação militar contra os independentistas no sudeste do país, que não reconheceram a nova liderança no poder central.

    Tags:
    polícia, vítimas, confrontos, Kalashnikov, Kiev, Ucrânia
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