05:31 24 Setembro 2017
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    Extração de petróleo

    Analista aponta resultados positivos para o petróleo com acordo de produção na Opep

    © AP Photo/ Hasan Jamali
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    O acordo anunciado esta semana entre Rússia, Arábia, Venezuela e demais membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), de reduzir a produção para níveis de meados de janeiro deste ano, terá efeitos positivos a curto prazo, com a recuperação dos preços do barril, segundo o sócio da Interact Consultoria em Energia, Rafael Herzberg.

    “A sugestão desse acordo vai ser recebida com um certo alívio pelo mercado, porque, como vimos nesses últimos tempos, a derrocada dos preços do petróleo criou uma grande turbulência nos mercados financeiros do mundo inteiro.” Depois de ser negociado até a US$ 25 em início do mês passado, o barril já se aproxima da faixa dos US$ 35.

    Já as expectativas financeiras da Petrobras, anunciadas pelo presidente da empresa, Aldemir Bendine, durante o início da operação da área de Lula Alto, na Bacia de Santos, foram recebidas com prudência no mercado. Entre as expectativas está a emissão externa, ainda este ano, de US$ 14,4 bilhões, para reduzir a dívida da companhia de US$ 130 bilhões.

    Mesmo sem citar negociações em curso, Bendine disse que a empresa estuda a venda de parte de ativos fora da área de exploração e produção, seja na área de distribuição, com a BR, como da frota, a Transpetro e mesmo terméletricas. O dirigente reconheceu que a estatal passa por um período de desafios, mas que a situação não é tão grave como descrita nos noticiários.

    Para demonstrar a capacidade de investimento da empresa, Bendine lembrou que só no ano passado foram investidos US$ 20 bilhões, dos quis 82% em exploração e produção.

    Para Herzberg,  porénm o quadro não é tão favorável como descreve o presidente da estatal.

    “O mercado sempre ouve essas expectativas muito interessantes e muito róseas para a Petrobras, mas atualmente creio que o grande desafio é transmitir credibilidade através de resultados efetivos. O mercado, para poder acreditar nessas projeções todas, precisa verificar que a empresa tomou medidas para reduzir seus custos, teria que fazer um downsizing bem importante, vender ativos e, com isso, enxugar verdadeiramente seus custos. Quando isso acontecer de fato, aí eu acredito que o mercado vai acreditar nessas expectativas. Enquanto isso, acredito lamentavelmente, como os presidentes anteriores, a própria Graça Foster, eu sempre foram muito otimistas, sempre apresentaram planos muito bonitos em power point na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), mas que, de concreto, pouco se realizou.”

    Dados da consultoria Economatica revelam que o valor de mercado da Petrobras era de US$ 510,31 bilhões em maio de 2008 – início da crise financeira mundial devido ao estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos  – e em janeiro deste ano estava em US$ 73,7 bilhões, uma redução de 85%. A cotação também rompeu outro recorde histórico de baixa, sendo negociada pela primeira vez abaixo de R$ 5 por ação.

    “Como se diz no mercado financeiro: o mercado não leva desaforo para casa. O valor das ações de uma empresa corresponde à percepção que o mercado tem para a capacidade dela realizar resultados, e de fato a Petrobras parou até de pagar dividendos para os acionistas. Eles (dividendos) já eram pequenos, talvez 1% a 2% do valor investido. Esse enorme despencada do preço das ações apenas reflete a realidade, que é uma empresa endividada, que não gera lucro como os investidores gostariam de ver como outras impressas  ao redor do mundo. Os principais investidores internacionais da Petrobras venderam suas ações por uma questão de falta de confiança. Essa é uma resposta objetiva do mercado, não é uma manobra política.”

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    Tags:
    petróleo, Petrobras, OPEP, Rafael Herzberg, Aldemir Bendine
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