13:41 22 Outubro 2018
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    Vice-presidente norte-americano Joe Biden e o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu durante a conferência de imprensa em Istambul, Turquia, 23 de janeiro de 2016

    Círculo vicioso: combatendo os curdos, Turquia prejudica planos de Washington

    © AFP 2018 / OZAN KOSE
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    Washington considera que a postura turca em relação aos curdos é um dos obstáculos principais que mina a resolução política na Síria e que atrapalha a luta contra o Daesh.

    Fontes nas autoridades norte-americanas disseram ao The Wall Street Journal que os confrontos prejudicam as relações turco-americanas, já que os curdos sírios são um dos aliados principais no combate aos terroristas. 

    O jornal faz lembrar a visita do vice-presidente estadunidense, Joe Biden, à Turquia no mês passado durante a qual altos funcionários turcos lhe mostraram um mapa com indicações dos locais em que os curdos teriam contrabandeado as armas destinadas a lutar contra o Daesh.

    Segundo Ancara, as armas teriam acabado nas mãos do PKK [Partido de Trabalhadores do Curdistão] que ambos os países consideram como uma organização terrorista. Os EUA nunca encontraram evidências disso. 

    Após as reuniões com Joe Biden, as autoridades turcas disseram ao The Wall Street Journal que eles estavam preparados para bombardear os aliados dos EUA na Síria se o fluxo continuasse.

    O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, até disse que os EUA devem escolher quem são os seus aliados. "Sou eu o vosso parceiro ou são os terroristas em Kobani?”, perguntou ele.

    A disputa vem no momento em que os EUA, a Turquia, a Rússia e outras potências mundiais se preparam para se encontrar na quinta-feira (11) em Munique para tentar salvar as negociações de paz paralisadas sírias.

    Depois de fazer com que o grupo curdo apoiado pelos EUA não tomasse parte nas conversações de Genebra na semana passada, Ancara insiste em que o YPG (sigla em curdo para Unidades de Proteção Popular) é um parceiro norte-americano indigno de confiança na luta contra o Daesh.

    As tensões na Turquia intensificaram-se em julho de 2015, depois de 33 ativistas curdos serem mortos em um ataque suicida na cidade de Suruc e dois policiais turcos serem posteriormente assassinados pelo PKK, o que levou à campanha militar de Ancara contra o grupo. Em dezembro, as autoridades turcas declararam o toque de recolher em várias regiões do sudeste do país. 

    Segundo o correspondente da RIA Novosti, passados dois dias, os confrontos reiniciaram-se. Em toda a cidade de Diyarbakir, considerada a «capital» dos curdos turcos, ouvem-se disparos de tanques e de armas automáticas.

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    Tags:
    curdos, YPG, Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Recep Tayyip Erdogan, Joe Biden, Turquia, EUA
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