19:29 20 Setembro 2018
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    Militantes curdos combatem o Estado Islâmico perto da cidade de Hasakeh, na Síria

    Político curdo: ataques russos contra Daesh são muito importantes na luta antiterrorista

    © AFP 2018 / UYGAR ONDER SIMSEK
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    A Sputnik falou com o vice de um dos cogovernadores da região de Cezire, no Curdistão sírio, Huseyin Azam, de origem árabe, sobre a situação de segurança na região e a sua visão sobre os ataques aéreos realizados pela Rússia.

    A área de maioria curda no Norte da Síria é chamada Rojava e consiste de três regiões — Cezire, Kobane e Afrin, que são governadas pelo Partido da União Democrática (PYD, na sigla em curdo). A maior região do Curdistão sírio é Cezire, com a capital na cidade de Qamishli. 

    Azam informou que a situação no que toca à segurança, defesa e administração melhorou em geral em Cezire, comparada com os períodos anteriores.

    “Na nossa região acontecem de vez em quando confrontos entre as unidades das Forças Democráticas da Síria e os militantes do Daesh. Mas a maior parte de territórios na província de Hasakeh foi liberada de jihadistas. Recentemente, os soldados das Forças Democráticas da Síria repeliram os militantes do Daesh da área de Hol, em Hasakeh. Neste momento, os confrontos acontecem na área de Seddahi”, contou o político. 

    Huseyin Azam, vice-governador da região de Cezire no Curdistão sírio
    © Sputnik / Sputnik Türkiye Hikmet Durgun
    Huseyin Azam, vice-governador da região de Cezire no Curdistão sírio
    Segundo Azam, na região vivem em paz os representantes de vários povos – curdos, árabes, assírios. Todos podem obter cargos nos órgãos de poder.  

    Falando da operação antiterrorista da Força Aeroespacial russa, ele sublinhou o seguinte:

    “Nós julgamos que os ataques da aviação russa contra as posições dos militantes do Daesh têm grande importância na luta contra o terrorismo. A Rússia defende o povo sírio. Esperamos imensamente que no futuro as nossas relações com a Rússia se desenvolvam mais ativamente e que haja mais oportunidades para a cooperação”.

    O grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e reconhecido como terrorista pelo Brasil) autoproclamou-se "califado mundial" em 29 de junho de 2014, tornando-se imediatamente uma ameaça explícita à comunidade internacional e sendo reconhecida como a ameaça principal por vários países e organismos internacionais. Porém, o grupo terrorista tem suas origens ainda em 1999, quando um jihadista da tendência salafita, o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, fundou o grupo Jamaat al-Tawhid wal-Jihad. Depois da invasão norte-americana no Iraque em 2003, esta organização começou a fortalecer-se, até transformar-se, em 2006, no Estado Islâmico do Iraque. A ameaça representada por esta entidade foi reconhecida pelos serviços secretos dos EUA ainda naquela altura, mas reconhecida secretamente, e nada foi feito para contê-la. Como resultado, surgiu em 2013 o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que agora abrange territórios no Iraque e na Síria, mantendo a instabilidade e fomentando conflitos.

    Não há uma frente unida de combate contra o Daesh: contra o grupo lutam forças governamentais da Síria (com apoio da aviação russa) e do Iraque, a coalizão internacional liderada pelos EUA (limitando-se a ataques aéreos), assim como milícias xiitas libanesas e iraquianas. Uma das forças mais eficazes que combatem o Daesh são as milícias curdas, tanto no Curdistão iraquiano, como no Curdistão sírio.

    Tags:
    exército, curdos, terrorismo, Partido da União Democrática (PYD), Daesh, Curdistão sírio, Kobane, Síria, Rússia
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