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    A imprensa turca parece estar pouco à vontade com a criação de um sistema de defesa aérea regional comum russo-armênio, sugerindo que o acordo pode significar problemas para Ancara e levar a uma crescente instabilidade na região.

    Na quarta-feira (23), o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, e o seu homólogo armênio, Seyran Ohanyan, assinaram um acordo sobre a criação de um sistema de defesa aérea regional conjunto para a região do Cáucaso. A iniciativa é um dos muitos planos de cooperação do Conselho de Ministros da Defesa desenhado por Moscou para 2016, com negociações em curso para acordos regionais de defesa aérea com o Quirguistão e o Tajiquistão.

    Um acordo de defesa aérea conjunta entre a Rússia e o Cazaquistão foi celebrado em 2013. Recentemente, Moscou entregou um sistema S-300 a Astana. Por sua vez, os sistemas de defesa aérea da Rússia e da Bielorrússia já foram unificados.

    A Armênia hospeda duas instalações militares russas, incluindo a base militar 102, localizada no norte da cidade de Gyumri. Operando sob a sua direção está o aeródromo baseando em Erebuni, cerca de 120 km ao norte de Erevan, capital armênia. As duas bases são capazes de abrigar entre 4.000 e 5.000 militares russo. 

    No início deste mês, a base de Erebuni foi reforçada com seis helicópteros de assalto Mi-24P, juntamente com vários helicópteros de transporte Mi-8MT. Duas semanas antes, sete Mi-24 e diversos Mi-8MT foram mobilizados para estas instalações militares russas.

    Comentando o acordo russo-armênio, a mídia turca em língua inglesa preocupada insinua que pode estar conectada à derrubada de um bombardeiro Su-24M da Rússia, por um caça da Turquia, sobre a Síria no mês passado, bem como a presença de bases norte-americanas em solo turco.

    Em entrevista à RIA Novosti, citada pela mídia turca em língua inglesa Today’s Zaman e Hurriyet Daily News, o ex-vice-comandante das Forças de Defesa Aérea russas, Alexander Luzan, disse que acreditava que a decisão de criar um sistema de defesa aérea conjunto aconteceu devido aos eventos ligados à Turquia, com as perigosas manobras de Ancara, as bases norte-americanas e o desejo da Rússia de proteger os seus parceiros armênios.

    Sobre a análise de Luzan, o Today’s Zaman sugeriu que “o aumento da presença militar russa na Armênia, um país sem litoral no sul do Cáucaso na fronteira com a Turquia, provavelmente vai agitar a inquietação em Ancara”. O Hurriyet Daily News foi mais longe, avisando que o governo turco acredita que o acordo leva ao risco de “aquecer o Cáucaso”.

    Em declarações ao jornal, um funcionário anônimo disse que “Rússia e Armênia que devem se abster de ações que possam prejudicar a paz regional no Cáucaso”, com Ancara temendo que “a atitude de Erevan aumentasse o risco de confrontos na região”, presumivelmente referindo-se a intensificar os confrontos entre a Armênia e o Azerbaijão sobre a disputada região de Nagorno-Karabakh.

    Por seu lado, o funcionário sugeriu que Ancara seja a favor de continuar com o seu “bom relacionamento” no Cáucaso. Ele afirmou que a Turquia não deve ter problemas com os vizinhos, pois sua política tem sido seriamente tensa nos últimos meses pelas aparentes ambições do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pela hegemonia regional, a partir de seu apoio a militantes antigovernistas na Síria, da derrubada do Su-24 russo e da intervenção ilegal da Turquia no norte do Iraque no início deste mês.

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    Tags:
    base militar, acordo, política, preocupação, sistema de defesa aérea, Su-24, Mi-24, Mi-8, Recep Tayyip Erdogan, Erebuni, Síria, Ancara, Erevan, Azerbaijão, Bielorrússia, Moscou, Tajiquistão, Quirguistão, Armênia, Iraque, Cáucaso, Turquia, Rússia
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