17:04 26 Setembro 2017
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    Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, ao lado do seu filho Bilal Erdogan e de sua filha Sumeyye Erdogan em Ankara

    Filho de Erdogan nega envolvimento em contrabando de petróleo do Daesh

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    Apesar das evidências indicarem o contrário, Bilal Erdogan, filho do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, negou nesta terça-feira qualquer envolvimento no esquema ilegal de comércio do petróleo controlado pelos terroristas do Daesh na Síria.

    Para financiar suas atividades extremistas, o Daesh (EI) depende principalmente do seu comércio de hidrocarbonetos. Na última semana, o Ministério da Defesa da Rússia apresentou provas da transação realizada pelos terroristas para vender o seu combustível: através da Turquia, com o consentimento da família Erdogan. 

    O Kremlin apontou o dedo diretamente para Bilal Erdogan, um dos quatro filhos do presidente da Turquia, dono de uma empresa de transporte e com fácil acesso a poços e ao mercado de petróleo. Ele, no entanto, negou as acusações. 

    "Nós construímos escritórios em Istambul. Não fazemos negócios no Mediterrâneo, na Síria ou no Iraque", afirmou Bilal, citado pela Reuters. "O ISIS (Daesh) é um inimigo do meu país. O ISIS é uma desgraça. Eles colocam minha religião em uma posição ruim. Eles não representam o islã e eu não os considero muçulmanos". 

    De acordo com o filho de Erdogan, a sua empresa não controla de fato as atividades de transporte, mas se limita apenas a construir as embarcações utilizadas para esse fim. Sem oferecer qualquer evidência, Bilal acusou o governo sírio de comercializar o petróleo do Daesh:

    "Se vocês seguirem o petróleo do ISIS, vocês encontrarão Assad", afirmou. 

    Recentemente, a Rússia apresentou imagens de satélite detalhadas mostrando o comércio do petróleo do Daesh através da fronteira turca, evidência que foi reconhecida por outros países. Durante um encontro com o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, nesta terça-feira, o premier do Iraque, Haider al-Abadi, ressaltou a importância de dar um fim ao contrabando do combustível vendido pelos terroristas, comercializado "principalmente através da Turquia". 

    Além de Moscou, Teerã também afirmou ter provas de que Ancara estaria envolvida na venda do petróleo dos extremistas: 

    "Os assessores militares do Irã na Síria tiraram fotos e filmaram todas as rotas utilizadas pelos petroleiros do ISIL até a Turquia", informou secretário do Conselho de Expedição do Irã, Mohsen Rezaie, em conversa com jornalistas na última sexta-feira. "Se as autoridades turcas não estão cientes das vendas de petróleo do Daesh em seu país, então, nós podemos fornecer esse tipo de informação de inteligência a eles". 

    Em novembro, o ministro sírio da Informação, Omran al-Zoubi, também acusou Bilal de receber petróleo proveniente de territórios controlados pelo Daesh e exportá-lo para países da Ásia. 

    Segundo o jornal alemão Handelsblatt, o filho do presidente turco foi acusado em 2013 de lavar o dinheiro sujo adquirido pelo seu pai. Um ano depois, em uma conversa telefônica entre os dois, Recep Tayyip ERdogan discutiu com o seu filho um pagamento no valor de 10 milhões de dólares, que, de acordo com o jornal, estaria ligado à construção de um novo oleoduto na região. 

    Tags:
    petróleo, ISIS, Daesh, Estado Islâmico, Bilal Erdogan, Omran al-Zoubi, Recep Tayyip Erdogan, Frank-Walter Steinmeier, Ancara, Turquia, Iraque, Síria, Alemanha, Moscou, Rússia
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