22:45 08 Abril 2020
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    O premiê da Eslováquia, Robert Fico, citado pela agência France-Presse declarou que o seu país começou um processo jurídico contra o Conselho da União Europeia por não concordar com a política de quotas migratórias.

    Ainda em setembro, quando as quotas para migrantes acabavam de ser introduzidas, a Eslováquia, a República Tcheca, a Romênia e a Hungria votaram contra a política proposta pela Comissão Europeia. Fico declarara, na época, que o seu governo "não implementará a decisão aprovada pelos ministros do Exterior da UE e irá apelar contra ela". 

    Mas a coisa mais triste na situação é o fato de que a questão de migrantes não é a única em que países integrantes da União Europeia divergem…

    “Cotas migratórias” é derivado da frase “o problema não é meu”?

    As cotas propostas nos finais de setembro pela Comissão Europeia preveem a distribuição de 40 mil refugiados que já atingiram a Grécia e a Itália entre outros países da União Europeia durante os próximos dois anos.

    Apesar de Bruxelas ter acordado e revisado várias vezes as cotas para cada país, as autoridades não só dos quatros países da UE acima mencionados, mas também da Polônia e dos países bálticos se recusam a lidar com a quantidade designada por Bruxelas de pessoas oriundas de locais de conflitos.

    De acordo com as estimativas da ONU, cerca de um milhão de refugiados podem chegar ao bloco europeu até o final do ano corrente fugindo das guerras na África e no Oriente Médio, provocando a mais grave crise migratória desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

    Uma desgraça nunca vem só

    A crise migratória e o desacordo sobre a questão de cotas atraiu outro problema que já existiu por um tempo – que tem a ver com a base da zona do Acordo de Schengen. 

    A ideia principal do Acordo Schengen foi a criação de um "espaço de liberdade, segurança e justiça", quer dizer, uma zona de fronteiras abertas e livre circulação de pessoas, o que simplificaria o comércio e também previa a introdução de moeda única – o euro.

    Mas, como é sabido, ideia é uma coisa, e a realização prática é outra.

    Muitos especialistas já chamaram atenção ao problema. Por exemplo, o deputado da Assembleia Nacional Francesa Jacques Myard disse à Sputnik:

    "É claro que precisamos fechar as nossas fronteiras. A utopia do Schengen deve ser reconsiderada”.

    Por mais tolerantes que os europeus sejam, parece que tudo tem fim. Na situação atual é o fim de paciência com as ideias de Bruxelas.

    Merkel e chefes dos outros países europeus reintroduzem controle fronteiriço dentro de Schengen
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    Tudo é sobre dinheiro

    Todos os problemas que aparecem na Europa afetam a economia da zona do euro. Mesmo tendo em conta o fato de que nem todos os países que se tornaram membros da União Europeia aceitaram a moeda única, tudo é feito dentre um espaço histórico, político9 e geograficamente ligado. Dos 28 países que integram a UE, 19 acordaram em introduzir a moeda europeia. 

    O recente relatório do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (EBRD na sigla em inglês) divulgou que a zona de euro enfrenta uma nova “espiral de turbulência” em relação direta com a crise de refugiados.

    “A incerteza constrange a política interna da Grécia. Se o novo programa de resgate concordado com o governo grego e os credores em julho de 2015 enfrentar dificuldades na sua implementação, a zona do euro começará um novo período de turbulência econômica”, divulgaram os especialistas do banco no relatório. 

    E ainda mais – a União Europeia tem sérios problemas com o orçamento e a razão é a crise migratória: o Fundo Monetário Internacional recentemente, na véspera da cúpula da G20, avaliou que os gastos da UE podem aumentar em bilhões em relação à necessidade de distribuição e adaptação de refugiados no território dos respectivos países.

    Tags:
    política migratória, orçamento, finanças, crise migratória, União Europeia
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