05:54 18 Setembro 2020
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    O premiê sérvio, Aleksandar Vucic, concedeu uma entrevista exclusiva à Sputnik, na qual comentou a recente reunião da UNESCO vista como o fim do mundo unipolar, já que uns anos atrás seria impossível que o projeto dos EUA e Europa não foi apoiado.

    Vamos primeiro destacar a questão-chave da entrevista, relacionada com a entrada de Kosovo à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO na sigla em inglês).


    Sputnik: A Sérvia sucessivamente preveniu a entrada de Kosovo à UNESCO, mas os sérvios sentem duplas emoções: por um lado são orgulhosos, e do outro – a inquietação porque todos sabem que a decisão não é final. Mesmo assim, pela primeira vez em muitos anos uma organização internacional tomou a decisão a favor da Sérvia. O que isso significa?  Será que os países-líderes mundiais falharam em realizar os seus planos?  Será que o país se tornou mais forte?

    Aleksandar Vucic: A Sérvia conseguiu proteger algo do seu, e mesmo que poucos opinam que o país é muito forte, é o fato certo que jogadores poderosos tentaram ajudar Prishtina. Uns países enviaram seus altos representantes à Paris para participar da conferência geral da UNESCO e juntaram representantes de vários países tentando pressioná-las. É por isso também que muitos deles tomaram a decisão no último instante. Por exemplo, o Tajiquistão, com a representante da qual a Sputnik tinha falado momentos antes da reunião, e que tinha admitido que pretendesse votar contra a participação de Kosovo na UNESCO, mas acabou por não chegar à reunião.

    Outros exemplos até não devem ser mencionados porque os representantes de Estados africanos e asiáticos admitiram inequivocamente que eles foram pressionados no tal tom que queriam fechar as orelhas e não ouvir.

    Não vou mencionar como cada país lamentou que Kosovo não tinha entrado no UNESCO, bem como sobre a campanha histérica de abuso de Pristina. Tentamos não reagir. É melhor sorrir ligeiramente mesmo e continuar a defender o diálogo e a normalização das relações. Mas nós já não fazemos de conta que não compreendemos quem faz o quê. A Sérvia é um país pequeno, mas guarda zelosamente a sua independência e liberdade. E, apesar da pressão crescente, incluindo através da mídia e várias organizações e projetos, vamos continuar a aderir a esta política. Estou convencido de que seremos capazes de permanecer neste caminho.


    O premiê também comentou a opinião de que os acontecimentos recentes em Paris foram mais um sinal de grandes mudanças no mundo, que já não continua unipolar. A democracia norte-americana já não é a única que decide o futuro do mundo, e neste contexto Vucic disse:

    “Seis países muçulmanos votaram contra a entrada de Kosovo à UNESCO e muitos países se abstiveram, o que significa que Estados começam proteger a sua soberania e o seu futuro. As pessoas compreenderam que têm o direito de voto. Provavelmente, é a melhor definição do que aconteceu”.

    Na política externa a Sérvia continua com uma linha equilibrada e já por muitos anos admite a liderança de quatros lados no mundo – EUA, China, Rússia e União Europeia. 

    Lembramos que atualmente a Sérvia é um membro associado da União Europeia, e não um país-membro. Mas mesmo que o país já pronunciou o seu desejo de tornar um membro da UE, não apoia a política de sanções econômicas contra a Rússia, propagada pelos EUA e os seus aliados europeus em relação da crise ucraniana, alegando a participação russa no conflito. Mas Kremlin, por sua vez, negou as acusações e decretou contramedidas de restrição à importação de produtos alimentícios europeus, observando o princípio de reciprocidade nas relações internacionais.

    O premiê explica a posição oficial do seu país a Sputnik, dizendo:

    “Queremos ser o membro da UE, é a nossa política oficial, queremos ser a parte desta sociedade. Mas tenho que dizer que o governo da Sérvia, enquanto encabeçado por mim, não introduzirá sanções contra a Rússia, e manterá as boas relações com o presidente e o governo russos”.

    Ainda existem muitos temas para discutir nos pares União Europeia-Rússia, Rússia-Sérvia e, claro, Sérvia-União Europeia: gasodutos, política externa, cooperação em várias áreas, inclusive a defesa.

    A íntegra da conversa entre o premiê sérvio e o presidente russo continua não divulgada, só sabemos que os políticos discutiram a situação nos Balcãs. Até a situação desenvolve só podemos analisar os números de encontros de vários políticos russos e sérvios, e esperar pacientemente.

    A próxima reunião que apresenta interesse de que Vucic mesmo lembrou durante a entrevista à Sputnik, é a do político russo Dmitry Rogozin, para Bélgrado em janeiro de 2016.

    Tags:
    sanções, cooperação, gasoduto, política, UNESCO, Vladimir Putin, Aleksandar Vucic, União Europeia, EUA, Sérvia, Rússia
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