08:36 22 Setembro 2017
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    Soldados da guarda real da Suécia

    Suécia quer fortalecer potencial militar mas... ninguém quer servir ao Exército

    © AFP 2017/ SVEN NACKSTRAND
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    As Forças Armadas da Suécia enfrentam dificuldades com o recrutamento de novos efetivos. Há cada vez menos recrutas e a profissão de militar perde popularidade.

    Já passou o tempo em que era possível ver centenas de pessoas nos postos de recrutamento que queriam servir às Forças Armadas, disse à Sveriges Radio um oficial-recrutador em Skaraborg Christer Flor. 

    Ele contou que, desde que as Forças Armadas se tornaram um empregador como todos os outros, eles têm de inventar meios para atrair jovens. A maior parte dos que passam pelo programa básico educacional no Exército são jovens de 19-20 anos.

    Segundo Christer Flor, é preciso dedicar mais tempo à divulgação em determinados municípios e trabalhar mais com os jovens.

    Já agora as Forças Armadas suecas sofrem de deficiência de recursos humanos. Para satisfazer as necessidades existentes do Exército, a Suécia precisa de 1.200 novos efetivos. Além disso, necessitam-se trabalhadores temporários. 

    Lennart Stridsberg, especialista em recursos humanos no serviço de recrutamento de Kristianstad, opina que, se o Exército quer recrutar mais efetivos, é preciso aumentar o seu atrativo.

    Fuzileiros portugueses participam dos exercícios da OTAN Trident Juncture 2015
    © AFP 2017/ FRANCISCO LEONG / AFP
    Algumas profissões como piloto ou soldados das tropas aerotransportadas não precisam de publicidade adicional porque são atraentes em si. Mas outras profissões precisam de ajuda, segundo Lennart Stridsberg. 

    É de notar que, nos últimos tempos, a Suécia aumentou a sua atividade militar. Até 12 de novembro na ilha de Gotlândia estão decorrendo exercícios com a participação da defesa antiaérea. Ainda em março deste ano, o ministro da Defesa da Suécia Peter Hultqvist manifestou que na ilha será instalado um contingente militar permanente.  

    No fim de outubro-início de novembro a Suécia, não sendo membro da OTAN, participou dos exercícios da Aliança Trident Juncture 2015. Em setembro, a Suécia tomou parte dos treinos militares americano-ucranianos Sea Breeze. No verão, o Exército sueco tomou parte dos exercícios da OTAN  Baltops-15. Em junho o país proporcionou o seu território aos aviões americanos B-52 para praticarem bombardeamentos. 

    Nos finais de Outubro, a Suécia e Finlândia resolveram criar um grupo naval conjunto no âmbito do programa de cooperação militar que continua sendo fortalecido.

    No entanto, estes planos ambiciosos enfrentam uma dura realidade: os jovens não querem ou não podem servir no Exército.

    Ainda em agosto, a rádio sueca Sveriges Radio informou que, após terem passado os testes iniciais, quase metade dos candidatos ao programa de oficiais na Academia Militar falharam na entrevista final.

    E o jornal diário sueco Dagens Nyheter escreveu na altura que os testes de admissão para as Forças Armadas são demasiado difíceis para as pessoas que não nasceram na Suécia, visto que são estes últimos que constituem a maior parte dos candidatos porque, para os suecos de origem, o serviço no Exército é cada vez menos atraente.

    Tags:
    recrutamento, exército, OTAN, Suécia
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