23:14 30 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Mundo
    URL curta
    191
    Nos siga no

    Manifestantes japoneses lembraram o 70º aniversário do lançamento da bomba atômica sobre Nagasaki para condenar as atuais tentativas do governo de expandir o papel das forças armadas do país, advertindo que uma mudança na Constituição pacifista do Japão irá colocá-lo no caminho para a guerra.

    Enquanto o Japão lembrava a tragédia que matou 74 mil pessoas em Nagasaki em 1945, ativistas e sobreviventes do ataque perpetrado pelos EUA uniram vozes contra a proposta de lei que o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe submeteu ao Parlamento para permitir que as tropas japonesas voltem a poder lutar em conflitos no exterior, o que não acontece desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

    Durante um protesto organizado em Tóquio na semana passada, um sobrevivente do ataque nuclear, Sumiteru Taniguchi, 86 anos de idade, disse que a nova legislação proposta por Abe está em contradição direta com os desejos das vítimas das bombas de Nagasaki e Hiroshima.

    "Não podemos aceitar isso. Os projetos de lei de segurança que o governo está tentando avançar colocaria em risco nossa mobilização de longa data pela abolição nuclear, bem como as esperanças dos hibakusha [sobreviventes da bomba atômica]. (…) Depois da guerra, uma Constituição foi promulgada na qual o Japão prometeu ao mundo que nunca mais iria declarar guerra ou pegar em armas novamente. No entanto, o governo está prestes a trazer o Japão de volta para os tempos de guerra", disse Taniguchi.

    O prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, também marcou presença nas manifestações contra o projeto de lei, aproveitando a oportunidade para criticar as ações do governo enquanto Abe assistia a uma cerimônia memorial.

    "Preocupações e ansiedades estão se espalhando entre nós de que esta promessa feita há 70 anos e o princípio de paz na Constituição japonesa podem agora ser minados", disse ele.

    A controversa legislação foi aprovada na câmara baixa do Parlamento japonês em maio deste ano, em meio a críticas generalizadas e atos de repúdio por parte dos parlamentares dos partidos de oposição. No entanto, o projeto ainda deve passar pela câmara alta do país para se tornar lei.

    Os críticos dizem que a legislação viola o artigo 9 da Constituição do Japão, que renuncia à guerra como meio de resolver disputas internacionais. Sobreviventes e ativistas temem que o país possa ser arrastado para novos conflitos liderados por Washington se a nova legislação for aprovada.

    Abe tentou apaziguar as reações adversas prometendo que Tóquio não tomaria parte em nenhuma das guerras por procuração de Washington, mas insistiu que o Japão deveria desempenhar um papel mais ativo no estabelecimento de uma aliança de segurança com os EUA na Ásia, a fim de combater uma alegada ameaça representada pela China.

    Segundo as autoridades norte-americanas, Pequim tem adotado táticas agressivas no leste da Ásia, no contexto de uma série de disputas territoriais sobre recursos naturais na região.

    A Constituição pacifista do Japão foi promulgada durante a ocupação norte-americana do país em 1947, depois de mais de 200 mil pessoas terem morrido nos ataques combinados sobre Hiroshima e Nagasaki.

    Mais:

    Opinião: EUA se preparam para “guerras das estrelas” contra Rússia e China
    Opinião: China entrou em fase de defender seus interesses perante EUA
    Pequim avisa que parou construções no Mar do Sul da China
    China Times: aumento de pressão por parte da Rússia e da China preocupa os EUA
    Japão tenta evitar presença nas celebrações do Dia da Vitória na China
    Pequim: EUA querem militarizar o Mar do Sul da China
    Tags:
    guerra por procuração, guerra, parlamento, bomba atômica, constituição, Segunda Guerra Mundial, Tomihisa Taue, Shinzo Abe, Nagasaki, Hiroshima, Estados Unidos, EUA, Mar da China, China, Japão
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar