06:07 23 Outubro 2017
Ouvir Rádio
    O premiê da Grécia, Alexis Tsipras, chega ao Parlamento Europeu.

    Grécia assinou acordo em que ninguém confia

    © REUTERS/ Vincent Kessler
    Mundo
    URL curta
    5632110

    Em meio a demissões e instabilidade, Grécia assinou um acordo que só propõe ao país uma ponte fraca.

    O documento que o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, assinou na terça-feira, não resolve a situação. Foi ele mesmo que o disse.

    "Eu assumo completamente as minhas responsabilidades pelas falhas e pelos lapsos, e também a responsabilidade por assinar um texto em que eu não acredito, mas estou obrigado a implementar", disse Tsipras, ao assinar o acordo de compromisso sobre a crise da dívida grega.

    O acordo prevê um subsídio "ponte" de 7 bilhões de euros que a Comissão Europeia deverá pagar à Grécia para aliviar o clima econômico e financeiro do país, que estava no limiar de default.

    Mas a ponte é fraca, e isso é admitido por todas as partes.

    O acordo da terça-feira adia por um prazo ainda indefinido a saída do país da zona do euro — a assim chamada Grexit, temida pela União Europeia. O documento foi assinado um pouco mais de uma semana depois do referendo em que o povo da Grécia votou contra as medidas de austeridade impostas pela União Europeia, com a Alemanha como o principal credor.

    O acordo não é visto com bons olhos nem pela FMI, que estimou que a dívida grega é "extremamente insustentável".

    Mais cedo nesta quarta, um deputado da Rússia anunciou uma iniciativa que visa levantar da Grécia as sanções que a Rússia impôs em relação à União Europeia, para aliviar a economia grega. A proposta será examinada pelo presidente russo, Vlaidmir Putin.

    Desde a sua ascensão política, neste ano, Tsipras, junto com a coalizão no poder no seu país, defendeu a reestruturação da dívida grega e mais independência nos assuntos econômicos dentro da UE. O referendo realizado em 5 de julho foi o auge do programa da coalizão. E o "motor do não" do referendo, o ex-ministro das Finanças Yannis Varoufakis, demitiu-se justamente depois do plebiscito, deixando a mensagem de que cumpriu a sua tarefa.

    Já nesta quarta-feira (15), quem demitiu-se foi a vice-ministra das Finanças da Grécia, Nadia Valovani. Explicando a sua ação, ela disse que não podia continuar exercendo as suas funções na situação atual.

    Nadia Valavani, ex-vice-ministra das Finanças da Grécia
    © AFP 2017/ LOUISA GOULIAMAKI
    Nadia Valavani, ex-vice-ministra das Finanças da Grécia

    "Alexis [Tsipras], quando houve desafios, eu estou pronta para servir em qualquer qualidade, até o fim, Mas no caso em que a nossa delegação voltou com obrigações que preveem medidas nascidas mortas, quando com cada avaliação [pelos credores do estado das reformas] estaremos ante o dilema: ou desistirmos, ou fazermos a Grexit, — eu não vejo possibilidade nenhuma de permanecer no governo", reza a carta de demissão da ex-vice-ministra.

    No entanto, Valovani afirmou que "a luta, eu quero confiar nisso, continua".

    Mais:

    Europa não quer pagar dívida da Grécia enquanto Tsipras cede perante credores
    Mídia alemã acusa Merkel de hipocrisia em relação à Grécia
    Zona do euro alcança acordo sobre a Grécia
    Ainda não é hoje que a Europa decide o futuro da Grécia
    Tags:
    dívida, Comissão Europeia, Alexis Tsipras, Grécia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik