16:55 14 Dezembro 2017
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    Palestina entrega ao tribunal evidências de crimes de Israel na guerra em Gaza

    © AP Photo/ Hatem Moussa
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    A Palestina entregou ao Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia, o primeiro pacote de documentos que podem criar a base jurídica para o julgamento de autoridades israelenses por crimes de guerra, informa a agência France-Presse.

    “O Estado palestino se obrigou cooperar com o TPI, transferindo as informações, e hoje cumpriu sua obrigação”, disse o ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, deixando o prédio do tribunal em Haia.

    O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, em Haia
    © AFP 2017/ ROBIN VAN LONKHUIJSEN
    O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad al-Maliki, em Haia

    Segundo ele, as informações entregadas podem ser suficientes para a abertura imediata de uma investigação. Elas consistem de dois arquivos: um deles descreve os crimes de guerra, supostamente cometidos por Israel durante o conflito no verão de 2014, quando morreram mais de dois mil palestinos e pelo menos 70 civis israelenses. O segundo arquivo contém informações sobre a "ocupação israelense da Cisjordânia e Jerusalém Oriental" e os prisioneiros palestinos.

    “Alcançar a justiça é absolutamente necessário para as vítimas palestinas, mortas e vivas. Palestina tinha escolhido um caminho de busca da justiça, não vingança, por isso estamos aqui hoje”, acrescentou al-Maliki.

    Em janeiro o procurador do TPI, Fatou Bensouda, anunciouo inicio do "estudo preliminar da situação na Palestina" e possíveis crimes, cometidos no ano passado na Faixa de Gaza ações e na Cisjordânia.

    Os documentos apresentados por palestinos na quinta-feira não foram divulgados, mas o diplomata Ammar Hijazi discutiu o conteúdo com os repórteres. Hijazi disse que os documentos revelam o processo de colonização ilegal de Israel na Cisjordânia, relata The Washington Post.

    Israel argumenta que a Cisjordânia não está ocupada, mas é um território em disputa e que seus assentamentos são legais. Por sua vez, a administração de Barack Obama descreve os assentamentos como ilegais e não úteis para o processo de paz entre os israelenses e palestinos.

    Anteriormente foi publicado o relatório encomendado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU que encontrou evidências de que ambos os lados do conflito puderam cometer os crimes em combates do ano passado.

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e os ministros do governo negaram veementemente que Israel violou o direito internacional na guerra de Gaza. Ele chamou o relatório de "falho e tendencioso" e pediu ao mundo ignorá-lo.

    Israel lançou neste mês o seu próprio relatório que descreve os militares israelenses como cautelosos e morais. Ele culpou o Hamas pelas mortes de civis, porque o grupo usou "escudos humanos" e instalou as armas perto de hospitais, mesquitas, escolas e igrejas.

    Tags:
    acusação, guerra, Tribunal de Haia, Riyad Maliki, Benjamin Netanyahu, Cisjordânia, Palestina, Faixa de Gaza, Israel
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