13:52 18 Novembro 2019
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    Uma menina afegã de uma família de refugiados que está agora perto da cidade de Subotica, na Sérvia

    Sérvia não quer viver em Auschwitz europeu

    © AFP 2019 / ANDREJ ISAKOVIC
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    O primeiro-ministro da Hungria, Peter Szijarto, anunciou na quarta-feira que o seu país iria começar a construção de um muro na fronteira com a Sérvia para se proteger do fluxo de migrantes.

    "A imigração é um dos problemas mais sérios que a União Europeia enfrenta hoje em dia. Os países da União Europeia estão procurando uma solução, mas a Hungria não pode se permitir seguir esperando", frisou o chefe do governo.

    Segundo o político, trata-se de um muro de quatro metros de altura e de 175 metros de comprimento, o que corresponde à fronteira entre a Hungria e a Sérvia. O Ministério do Interior húngaro já foi encarregado de coordenar os preparativos para a construção.

    No entanto, a Sérvia está indignada com a decisão das autoridades húngaras.

    "A Sérvia não pode ser culpada de nada. Qual é a culpa da Sérvia? A crise síria, os acontecimentos em torno ao Estado Islâmico, os problemas curdos? A Sérvia é um Estado de trânsito para os refugiados, eles não chegaram à Europa através do nosso país, senão dos países da União Europeia, a Bulgária e a Grécia", disse o primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic.

    Para ele, a construção do muro húngaro é uma opção inadequada, porque a Sérvia não quer "viver em um Auschwitz".

    Refugiados na Sérvia perto da fronteira com a Hungria
    © AFP 2019 / ANDREJ ISAKOVIC
    Refugiados na Sérvia perto da fronteira com a Hungria

    Plano de quotas

    A Hungria está revoltada com a decisão das autoridades da União Europeia de estabelecer quotas obrigatórias de migrantes que cada país que é o seu membro deverá acolher.

    O plano europeu prevê a remoção, dentro de dois anos, de 24 mil imigrantes situados na Itália e 16 mil situados na Grécia, oriundos da Síria e Eritreia e que chegaram a partir de 15 de abril de 2015.

    Além disso, a Comissão Europeia também pretende pedir que os países da UE acolham 20 mil imigrantes ilegais que estão agora em campos de refugiados na Turquia, Jordânia e Líbano.

    Vários países já registram altos índices de rejeição do plano europeu. Por exemplo, os resultados de uma opinião pública realizada por telefone na Eslováquia demonstrou que mais de 70% dos respondentes não apoia o plano de quotas.

    10 países da UE, inclusive a França, a Eslováquia, a Espanha, a Estônia, a Hungria, a Letônia, a Lituânia, a Polônia, o Reino Unido e a República Tcheca, já declararam o seu repúdio às quotas.

    Vários analistas estimam que a postura da UE é inconsistente, já que primeiro, este organismo apoiou a intervenção armada estrangeira à Líbia, Síria e outros países atingidos pela Primavera Árabe, provocando — logicamente o fluxo de refugiados — e agora, se queixa dos refugiados que ela mesma produziu.

    Ontem, por meio de uma entrevista exclusiva, a Sputnik obteve um comentário de um representante de um dos países que mais sofreram com a atividade estrangeira de produzir refugiados, a Líbia. É Ahmed Kadhaf al-Dam al-Qaddafi, primo do ex-líder líbio, Muammar Kadhafi. Ele disse que, no início, o Ocidente chorava "lágrimas de crocodilo" em relação à situação no seu país, "mas hoje em dia nem essas lágrimas de crocodilo vemos".

    Antecedentes murais

    O anúncio do chefe do governo húngaro vem dois dias depois do escândalo que se deu em Ventimiglia, cidade italiana fronteiriça com a França, para onde um grupo de refugiados africanos foi deportado desde o norte francês. As autoridades italianas consideraram tal ação como um precedente de fechamento de fronteira no âmbito da zona Schengen e até anunciaram um "plano B" que iria "doer" à Europa.

    O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Cazeneuve, respondeu dizendo que não se trata de nenhum fechamento de fronteira, senão de uma ação regular das autoridades da França.

    Mais cedo neste ano, foi o Ministério da Defesa de Israel que propôs construir uma cerca na fronteira com a Jordânia, alegando a necessidade de proteger o novo aeroporto da cidade de Timna de possíveis assaltos jihadistas.

    Além disso, houve informações sobre possível decisão do governo ucraniano de erigir um muro na fronteira com a Rússia. Só que a opção é bem difícil, já que antes da fronteira, no atual território ucraniano, está a região chamada Donbass, onde existem ás autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk, que não querem ser parte da Ucrânia. A Ucrânia realiza uma "operação antiterrorista" na região, que atualmente é um conflito armado e dura mais de um ano.

    No entanto, as autoridades da Hungria querem fazer algo sem precedentes, bloqueando de fato uma fronteira inteira no centro da Europa e com um país que mantém regime sem visto com a União Europeia, à qual espera aderir.

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    Tags:
    migração, imigrantes, refugiados, EI, Comissão Europeia, Estado Islâmico, Peter Szijjarto, Aleksandar Vucic, Hungria, União Europeia, Sérvia
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