Merkel cita as três ameaças globais repetindo opinião de Obama

© AFP 2023 / ODD ANDERSEN Angela Merkel, chanceler da Alemanha
Angela Merkel, chanceler da Alemanha - Sputnik Brasil
Nos siga no
A chanceler alemã Angela Merkel citou, na véspera da cúpula do G7 na Baviera, as maiores ameaças para a comunidade global em um artigo seu publicado no jornal Globe and Mail que, curiosamente, coincide com a opinião de Obama.

Barack Obama, Matteo Renzi, Stephen Harper; David Cameron; Jose Manuel Barroso; Francois Hollande; Shinzo Abe em reunião do G7 - Sputnik Brasil
Ex-chanceler alemão: não convidar Putin à cúpula do G7 é um erro
Segundo Merkel, os chefes de Estado dos sete maiores países industrializados se reunirão para discutir os “mais urgentes desafios globais”.  No seu discurso Merkel sublinha os fatores que mais ameaçam a estabilidade mundial.   

“Quem poderia pensar que seria possível que, 25 anos depois do fim da Guerra Fria, a ordem pacífica europeia seria posta em causa pela anexação da Crimeia? Ou que a expansão do vírus ebola poderia desestabilizar vários países africanos e atrasar o seu desenvolvimento? Ou que no Oriente Médio uma organização terrorista islamista [Estado Islâmico] tentaria estabelecer um assim chamado Califado no território de dois países?”

A palavra "anexação" usada por Merkel em relação à Crimeia provocou críticas por parte das autoridades russas.

A chanceler alemã Angela Merkel utilizou terminologia incorreta quando se referiu à Crimeia que, segundo ela, foi “anexada pela Rússia” em vez de dizer que se reunificou com a Rússia, disse nesta quarta-feira (2) o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov.

“Se não me engano, a senhora Merkel cometeu um erro  na sua declaração em termos de terminologia. Utilizou a palavra ‘anexação’, mas não ‘reunificação’. Acreditamos que isso é uma definição incorreta”, manifestou.

A reunificação voluntária da Crimeia com a Rússia é legítima segundo as leis atuais, inclusive segundo as leis ucranianas, sublinhou Peskov.

“Acontece que a Crimeia não era uma ameaça à ordem mundial ou europeia mas muito provavelmente terá sido um momento em que a Europa “iluminada” e democrática abençoou a mudança de poder pela força num país europeu, mais precisamente na Ucrânia. Isto provavelmente tornou-se o ponto de viragem na atual ordem europeia e mundial"

Em março de 2014, 96 por cento dos participantes de referendo na Crimeia votaram em favor de reunificação com a Rússia depois de a península declarar independência da Ucrânia. 

A chanceler alemã sublinhou que todos estes exemplos de ameaças estarão na agenda da cúpula que será realizada no dia 7 e 8 de junho. 

Merkel também manifestou que “o G7 não pode enfrentar todos os desafios globais”. Entretanto, essa declaração contradiz a decisão dos líderes do G7 de não convidar a Rússia a participar da cúpula. A decisão foi criticada por vários políticos e empresários alemães. 

É curioso sublinhar que as três maiores ameaças mencionadas por Merkel coincidem completamente com a lista de desafios apresentada pelo presidente americano na sessão da Assembleia Geral da ONU em 24 de setembro.  

“Enquanto estamos aqui, o surto de ebola ataca os sistemas de saúde na África Ocidental e ameaça expandir-se rapidamente para fora da região. A agressão da Rússia na Europa fez lembrar os dias em que grandes nações ameaçavam as pequenas, perseguindo suas próprias ambições territoriais. A violência dos terroristas na Síria e no Iraque faz-nos olhar para o coração do mal”. 

Não convém colocar a própria culpa nos ombros dos outros, disse na altura o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov comentando o discurso de Obama:

“A julgar pelo discurso do senhor Obama, à Rússia coube a honra de ocupar o segundo lugar entre as ameaças à paz e à segurança globais [no discurso de Merkel a Rússia também ocupou o segundo lugar]. Na primeira posição está o vírus ebola e, no segundo lugar, conforme salientou Barack Obama – a “agressão russa na Europa”. Assim, no terceiro lugar se viram o Estado Islâmico, a Al-Qaeda e os demais terroristas que operam hoje no Oriente Médio, antes de mais, nos países atingidos pela intervenção dos EUA em violação das normas do direito internacional. O discurso de Barack Obama apresenta o enfoque norte-americano dos acontecimentos ocorridos no mundo. É uma visão do país que, em sua doutrina de segurança nacional, reservou a si um direito exclusivo de, independentemente de resoluções do CS da ONU ou de outros atos jurídicos internacionais, empregar a força à sua livre vontade. Acho que o ‘discurso de pacificação’ não deu certo”.

Entretanto, apesar da preocupação sobre o avanço de terrorismo no Oriente Médio exprimidos pelo presidente estadunidense e agora pela chanceler alemã Angela Merkel, os últimos acontecimentos na cidade de Ramadi no Iraque mostram a inação dos países ocidentais na luta contra o Estado Islâmico.

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала