01:29 19 Outubro 2019
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    Emigrantes africanos em bote inflável tentam cruzar o Mediterrâneo em direção à Europa

    Países da UE são constrangidos pela Itália ao ignorar mortes de imigrantes no Mediterrâneo

    © AP Photo / Alessandro Di Meo/ANSA
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    Após a rejeição por muitos países da UE de adotar um sistema de cotas para os imigrantes que pedem asilo ao serem resgatados no Mar Mediterrâneo, o primeiro-ministro da Itália anunciou planos para recuperar centenas de corpos da água para confrontar ministros europeus diante da gravidade da situação.

    Após a rejeição por muitos países da UE de adotar um sistema de cotas para os imigrantes que pedem asilo ao serem resgatados no mar mediterrâneo, o primeiro-ministro da Itália anunciou planos para recuperar centenas de corpos da água para confrontar ministros europeus diante da gravidade da situação.

    "Vamos para o fundo do mar e recuperar o barco”, disse ironicamente o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, aos jornalistas.

    Em meados de março, cerca de 900 imigrantes morreram em um naufrágio atravessando o Mediterrâneo rumo à Europa. Desde o início do ano, cerca de 2.000 pessoas já morreram se deslocando pela costa da Itália e Líbia. A Organização Internacional para as Migrações alerta que este número pode chegar a 30 mil até o final de 2015. 

    A morte de centenas de imigrantes no Mediterrâneo resultou em uma convocação para uma cúpula extraordinária da UE. O primeiro-ministro da Itália classificou o caso como uma "tragédia europeia".

    A agência da ONU para refugiados, a ACNUR, disse que o naufrágio poderá se constituir a maior perda de vidas envolvendo uma travessia de migrantes para a Europa.

    Ao comentar a rejeição por muitos países-membros da UE de adotar um sistema de cotas para distribuição de refugiados provenientes de países terceiros, o primeiro-ministro italiano disse:

    "Há 500 a 600 corpos lá embaixo. O mundo tem que ver o que aconteceu. Eu quero que parem com sua atitude aqueles que não se importam e fingem que não estão vendo", destacou o primeiro-ministro italiano. 

    O programa de reassentamento de emergência da UE, proposto pela Comissão Europeia, afirma que "a UE necessita de um sistema permanente para compartilhar a responsabilidade pelo grande número de refugiados e requerentes de asilo entre os Estados membros". 

    A Grã-Bretanha, no entanto, disse que vai se recusar a aceitar quaisquer refugiados através do programa. "Nós não vamos participar de nenhuma legislação que imponha um sistema obrigatório de reassentamento ou realocação", afirmou o Reino Unido.

    Mais de um terço dos países da UE, ou seja, 10 dos 28 que integram o bloco, se posicionaram contra a proposta da Comissão Europeia de introduzir cotas de distribuição de refugiados provenientes de países terceiros. 

    Vale notar que são justamente as lideranças europeias que intervieram em países no Oriente Médio, em particular na Líbia, no apoio à derrubada do governo de Muammar al-Gaddafi em 2011. Na Síria, o apoio do Ocidente às forças de oposição no país para derrubar o presidente Bashar Assad levou à emergência do Estado Islâmico, considerado o grupo terrorista de maior ameaça à segurança internacional. 

    Até os dias de hoje a situação política interna nestes países é instável e gera grandes deslocamentos de pessoas que buscam imigrar para a Europa. Agora, a Europa não sabe resolver a situação das constantes tragédias que envolvem as travessias arriscadas pelo Mediterrâneo.     

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    Tags:
    imigrantes, refugiados, Mar Mediterrâneo, União Europeia, Itália
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