04:11 20 Agosto 2019
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    Tendas de manifestantes durante protesto antigovernamental em Skopje.

    Nova fase de construção do gasoduto russo-turco começa em junho

    © AFP 2019 / ROBERT ATANASOVSKI
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    O início de junho é o prazo máximo para o começo da instalação de tubos no gasoduto Corrente Turca nas águas pouco profundas do Mar Negro, informou nesta terça-feira (19) Vitaly Markelov, vice-presidente do consórcio russo Gazprom.

    Segundo Markelov, os primeiros tubos serão fabricados pela italiana Saipem. Esta empresa é responsável pelo trecho inicial do gasoduto no Mar Negro.

    "As obras nas águas pouco profundas começarão nos primeiros dias de junho", disse Markelov, confirmando o comunicado oficial do consórcio, emitido anteriormente.

    A preparação do projeto russo-turco Corrente Turca (Turkish Stream) foi anunciada no final do ano passado, após o projeto Corrente do Sul (South Stream) ter sido suspenso. O presidente do Gazprom, Aleksei Miller, assegura que o gasoduto começará a funcionar em dezembro de 2016.

    A Macedônia, vizinha da Sérvia e da Albânia, é um dos países por onde o gasoduto poderá passar.

    Um manifestante empunha o pequeno cartaz com uma foto de premeiro-ministro macedônio Nikola Gruevski durante o protesto antigovernamental no centro de Skopje no 17 de maio de 2015. Mais de 20.000 pessoas se reuniram na capital da Macedónia para exigir a renúncia do governo do primeiro-ministro Nikola Gruevski, que é responsavel pela crise política profunda e um surto de violência no país.
    © AFP 2019 / Dimitar Dilkoff
    Gás russo vs. influência dos EUA

    Os projetos de gasodutos com participação russa, que deveriam atravessar parte da Europa Oriental, têm irritado bastante os EUA. O South Stream foi suspenso definitivamente por esta causa, após forte pressão ocidental. Agora, há indícios de pressão por causa da Corrente Turca.

    De acordo com o cientista político Georgy Engelgardt, do Instituto de Estudos Eslavos da Academia das Ciências da Rússia, contatado pela Sputnik Srbija, o Ocidente tenta pressionar a Macedônia por esta não ter aderido abertamente às sanções contra a Rússia:

    "…Acontece que a Macedônia representa um corredor potencial para a Corrente Turca. Nós sabemos que os EUA e a UE aplicaram esforços para bloquear a Corrente Turca. Agora, eles estão tentando fechar também a variante de trânsito através da Macedônia, com o que acreditam afastar economicamente a Rússia dos Bálcãs".

    O especialista acha que as manifestações contra o governo que estão acontecendo atualmente na Macedônia se enquadram perfeitamente neste cenário.

    Já um ex-funcionário da inteligência da antiga Jugoslávia, atualmente a residir em Skopje, Ivan Babanovski, está convicto que o próprio governo dos EUA tem a ver com a instabilidade atual:

    "Eu acredito que Joe Biden tem interesse pessoal na promoção do gás estadunidense na Europa. Será que ele consentiria em cometer um suicídio econômico, permitindo a construção do gasoduto russo através da Macedônia? Aliás, depois de certos pronunciamentos azedos dos embaixadores ocidentais na Macedônia, eu, se fosse [o primeiro-ministro da Macedônia, Nikola] Gruevski iria preocupar-me com a minha própria segurança, lembrando o que aconteceu com [o líder iraquiano, Saddam] Hussein ou com [o líder líbio, Muammar] Kadhafi".

    Manifestações

    A mais recente ação de protesto aconteceu no domingo passado (17), quando o líder da oposição macedônia, Zoran Zaev, convocou uma manifestação na frente da sede do governo do país. Os manifestantes gritavam "Fora Gruevski" e mostravam bandeiras da Macedônia entrelaçadas com as da Albânia.

    Nikola Gruevski é o primeiro-ministro do país balcânico, que não se recusou a cooperar com a Rússia em uma época de "guerra das sanções".

    Além de manifestações contra o governo, houve também eventos a favor do governo. Cerca de 30 mil pessoas reuniram-se em 18 de maio em Skopje para expressar o seu apoio ao primeiro-ministro da Macedônia, Nikola Gruevski (centro).
    © AFP 2019 / ROBERT ATANASOVSKI
    Além de manifestações contra o governo, houve também eventos a favor do governo. Cerca de 30 mil pessoas reuniram-se em 18 de maio em Skopje para expressar o seu apoio ao primeiro-ministro da Macedônia, Nikola Gruevski (centro).

    Segundo várias informações, Zaev, o ideólogo dos protestos, teria dito em um discurso que a Macedônia iria "viver uma guerra semelhante à da Ucrânia" caso o governo atual não se demita. Porém, observadores acreditam que foi um exagero gratuito e que não se trata de nenhuma "revolução colorida". O jornalista macedônio Slobodan Tomic, da TV Sonce, disse o seguinte à Sputnik:

    "A popularidade do primeiro-ministro [Gruevski] está crescendo, como a do presidente [da Rússia, Vladimir] Putin. E a mídia ocidental tem a mesma atitude negativa para com ele <…> Não haverá uma "revolução colorida" na Macedônia".

    Já outros observadores questionados pela Sputnik, inclusive o ex-embaixador da Sérvia na Turquia, Dusan Spasoevic, comentam que representantes das missões diplomáticas da UE e dos EUA foram flagrados entre os manifestantes no domingo.

    "Eu trabalhava na Turquia quando ações de protesto semelhantes aconteciam lá. Eu não consigo imaginar um diplomata participando desta maneira da vida política de um outro país".

    Mesmo que o próprio movimento de protesto balcânico não tenha nada a ver com o Ocidente, o próprio Ocidente pode estar tentando usá-lo em seu proveito.

    Manifestações possíveis
    © Sputnik /
    Manifestações possíveis

    Posição da Rússia

    O chanceler russo, Sergei Lavrov, pronunciou-se nesta terça-feira (19) sobre o assunto. O ministro, que interveio na reunião do Comitê Ministerial do Conselho da Europa em Bruxelas, disse:

    "Tendo em conta a evidente dimensão regional dos acontecimentos na Macedônia, seria importante que o secretário-geral visitasse Skopje para ajudar à normalização da situação, baseando-se nos princípios e valores da nossa organização".

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    Tags:
    Corrente Turca, manifestações, protesto, South Stream, gás, Nikola Gruevski, Zoran Zaev, Sergei Lavrov, Bálcãs, Macedônia, EUA, Rússia
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