09:51 20 Setembro 2017
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    Chanceler da Alemanha Angela Merkel

    Após espionagem alemã, França pode aprovar lei da vigilância total

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    O líder da bancada do partido alemão Die Linke no Bundestag, Gregor Gysi, exige que a comissão parlamentar encarregada de investigar as atividades da NSA na Alemanha investigue a própria chanceler, Angela Merkel.

    O motivo da exigência é o fato de a líder nacional não ter feito nenhuma declaração pública sobre a eventual cooperação entre a Agência Nacional de Segurança (NSA) e o Serviço Federal de Inteligência (BND) alemão.

    O partido Die Linke, da oposição, pretende instar a comissão a definir os objetivos reais da espionagem alegadamente conjunta americano-alemã.

    Em uma entrevista à TV alemã, Gysi afirmou: "A princípio, pensávamos que o governo nada sabia a este respeito", mas "agora a gente se dá conta de que a administração da chanceler sabia desta espionagem desde 2008, mas não a impediu de maneira nenhuma".

    Para Gysi, trata-se de "crimes muito graves" para a Alemanha.

    Em finais de abril, surgiram suspeitas de que o governo de Angela Merkel possa ter participado do esquema de espionagem internacional, planejado e promovido pelos EUA. O Ministério das Relações Exteriores e o governo da França, assim como também a Comissão Europeia estão entre os vigiados.

    Já nesta terça-feira (5), o jornal alemão Suddeutsche Zeitung informa que o BND sabia da espionagem estadunidense na Europa Ocidental pelo menos até meados de 2013. Houve comunicação, sempre em pé de confidencialidade e sob sigilo, entre a inteligência e o governo, com pormenores sobre as escutas realizadas.

    Várias publicações alemãs se referem a um "relatório secreto" do governo, ao qual uma equipe de jornalistas do canal televisivo ZDF teve acesso. O documento, segundo o ZDF, confirma o fato de espionagem.

    Resposta francesa

    Também nesta terça, a Assembleia Nacional da França (câmara alta do parlamento) irá debater um projeto de lei que amplia as possibilidades de espionagem sobre as pessoas na França. A lei 2669 foi apresentada em 19 de março.

    Na segunda-feira (4), o diretor para a Europa e Ásia Central da Anistia Internacional, Gauri van Gulik, já criticou esta iniciativa legislativa, dizendo que "esta lei seria para a França mais um passo a um Estado policial, onde não há nada secreto, a não ser a própria vigilância".

    Os próprios franceses também concordam que o projeto de lei, que visa reforçar a "função de inteligência e de antecipação" dos serviços policiais e militares nacionais significará menos liberdade para as pessoas. O site Sous Surveillance (Sob Vigilância) qualifica a iniciativa parlamentar de tentativa de "legalização da vigilância total", destacando que a lei não prevê instrumentos transparentes de controle sobre os serviços de inteligência. Mas eles, por sua parte, iriam deter total controle sobre os cidadãos.

    Edward Snowden
    © REUTERS/ Glenn Greenwald/Laura Poitras/Courtesy of the Guardian/Handout via Reuters
    Espionagem global

    Em 2014, a Alemanha esteve junto ao Brasil quando o país latino-americano apresentou o seu projeto de sistema de segurança eletrônica antiespionagem na ONU.

    aquela altura, a participação do Brasil era visivelmente mais ativa do que a da Alemanha. Tanto Dilma Rousseff, como Angela Merkel foram espionadas, junto com várias autarquias dos seus respetivos governos.

    Já neste ano, quando foi conhecido o envolvimento do BND alemão no assunto, a relativa tranquilidade de Merkel ganha uma possível explicação inédita.

    Tags:
    parlamento, espionagem, Agência Nacional de Segurança (NSA), Angela Merkel, Alemanha, França, Brasil
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