17:49 16 Outubro 2018
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    Bandeiras nacionais de Cuba e EUA

    Reaproximação entre EUA e Cuba poderá ser temporária?

    © AP Photo / Ramon Espinosa
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    Na cúpula empresarial patrocinada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, que ocorre na cidade do Panamá paralelamente à Cúpula das Américas, o ministro de Comércio Exterior de Cuba, Rodrigo Malmierca Díaz, convidou os empresários a visitar a ilha e a investir na economia cubana, escreve a Folha de S. Paulo.

    Como um bom modelo de investimento, o ministro cubano citou o porto de Mariel, que está sendo construído pela empresa brasileira Odebrech em parceria com os cubanos e com apoio do governo brasileiro através de créditos emitidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A inauguração da primeira fase do porto teve até a participação da presidente Dilma Rousseff. 

    Nas palavras do ministro cubano, foi criada uma zona de desenvolvimento de Mariel ao redor do porto, com uma localização geográfica excelente, próxima ao aeroporto e às universidades e localizada numa região estratégica no Caribe.

    É óbvio que a Cuba neste momento tentará atrair investimentos desde que Washington e Havana anunciaram o início do restabelecimento das relações. 

    Porém, o bloqueio econômico da ilha ainda permanece. O ministro de Comércio Exterior de Cuba também tocou neste assunto:

    “Esperamos que [o presidente dos EUA Barack] Obama continue usando suas prerrogativas executivas para modificar outros aspetos do bloqueio que não requerem aprovação do Congresso”, disse ele citado pela Folha de S. Paulo. 

    Isto é uma questão muito importante – o democrata Obama tem de “lutar” contra o Congresso controlado pelo Partido Republicano porque neste caso a oposição republicana não apoia a política de Obama de reaproximação com Cuba. Até podemos dizer que a amizade entre os EUA e a Cuba tem prazo de qualidade porque o próximo presidente, se for um republicano, pode cancelar todos os projetos de reaproximação.

    A situação é muito parecida com o acordo nuclear iraniano. Os republicanos também querem uma posição mais dura dos EUA em relação ao Irã, acusando Obama de ser demasiado condescendente e derrotista em relação ao Irã. O mais curioso é que, segundo uma pesquisa realizada pela Reuters e Ipsos, um terço dos republicanos nos EUA acreditam que a ameaça que o presidente Obama representa para o seu próprio país é muito maior do que as ameaças de Bashar Assad e Vladimir Putin. Um bom exemplo de sabotagem da política de Obama em relação ao Irã é a visita escandalosa de Netanyahu a Washington quando o premiê israelense foi convidado pelo atual presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, para intervir perante ambas as câmaras do Congresso dos Estados Unidos. A Casa Branca só foi informada da visita posteriormente. O objetivo do discurso de Benjamin Netanyahu foi impedir a assinatura do acordo sobre o programa nuclear iraniano entre o Irã e o sexteto de mediadores internacionais. 

    Resumindo, podemos dizer que a atual aquecimento das relações de Washington quer com Cuba, quer com o Irã, pode ter prazo de validade porque os próximos inquilinos da Casa Branca podem parar estes projetos.

    Tags:
    embargo, política, investimentos, comércio, Barack Obama, Cuba, EUA, Brasil
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