13:44 22 Outubro 2017
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    Soldados do batalhão Azov ostentando o símbolo neonazista do Wolfsangel

    Ucrânia – um Estado feudal?

    © Sputnik/ Aleksandr Maksimenko
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    O presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, demitiu o governador da Região de Dnepropetrovsk, Igor Kolomoisky.

    As relações entre as autoridades ucranianas e Kolomoisky, um dos oligarcas mais ricos no país, foram abaladas na semana passada por um incidente envolvendo a demissão do presidente da empresa UkrTransNafta (uma sociedade anônima aberta estabelecida pelo governo da Ucrânia em 2001 e responsável por gerir as operações de transporte de petróleo através da rede de oleodutos da Ucrânia), Aleksandr Lazorko, protegido de Kolomoisky.

    Após a demissão de Lazorko, que teria sido ordenada pelo Ministério da Energia do país por motivos de má gestão, Kolomoisky compareceu ao escritório da UkrTransNafta para contestar a decisão acompanhado por seguranças armados com metralhadoras. Após deixar o prédio da empresa, ele teria igualmente insultado um jornalista presente no local.

    Neste aspecto vale a pena esclarecer qual é o papel real de Igor Kolomoisky na Ucrânia. Primeiro, é um magnata com a fortuna estimada de seis bilhões de dólares. A estrutura mais famosa de Kolomoisky é um dos maiores bancos da Ucrânia, o PrivatBank. 

    Bogdan Bezpalko, vice-presidente do centro de estudos da Ucrânia e Bielorrússia da Universidade Estatal de Moscou, acha que as posições de Kolomoisky seguirão fortes mesmo após a renúncia.

    “Seu grupo bancário Privat é um recurso muito poderoso que pode até afetar o câmbio da moeda nacional. Ele tem 15 mil soldados, para além de influência sobre um grupo poderoso de dirigentes da área de segurança e deputados leais”, contou. 

    Quando o cientista político fala do número de soldados sob as ordens de Igor Kolomoisky, ele refere o fato conhecido de financiamento por Kolomoisky de batalhões voluntários paramilitares que combatem contra os independentistas no leste da Ucrânia, entre quais o Donbass, o Dnepr e o Azov, segundo relatos da mídia. As organizações internacionais de direitos humanos acusaram várias vezes os soldados destes batalhões paramilitares de crimes de guerra no leste do país.  

    Tudo isso sugere que Igor Kolomoisky era o “senhor feudal” da região de Dnepropetrovsk com o seu próprio “exército de bolso”. O que é mais engraçado nesta situação é o discurso de Kolomoisky neste momento. Ele, que financiou a operação especial contra as regiões de Donetsk e Lugansk, agora fala de descentralização e federalização, o que deu origem a piadas nas redes sociais russófonas – os usuários da Internet pensam que, em vez da região de Dnepropetrovsk pode surgir a “República Popular de Kolomoisky”. Porém, o vice-diretor do Instituto da Comunidade dos Estados Independentes, Vladimir Zharikhin, não acha que Kolomoisky possa entrar em conflito aberto com as autoridades centrais em Kiev apesar das suas fortes posições em algumas regiões no leste da Ucrânia, inclusive na região de Dnepropetrovsk, Odessa e Carcóvia. Segundo o analista, Kolomoisky teme perder seus ativos nas outras áreas da Ucrânia. 

    “Parece que teve um conluio [entre Poroshenko e Kolomoisky], porque a demissão foi formulada como o desejo do próprio Kolomoisky e eles realizaram um encontro antes disso. Kolomoisky com certeza manteve alguma coisa, mas menos do que tinha antes do conflito. Parece que Kolomoisky no final aceitou a perda de controle sobre os fluxos petrolíferos”, manifestou Zharikhin. 

    O mais lamentável nesta situação é que, enquanto Poroshenko e Kolomoisky lutam pelo poder, o povo ucraniano sofre com a queda da economia, o aumento de preços, a hiperinflação e a guerra civil no leste do país.

    Tags:
    política, crise, conflito, Igor Kolomoisky, Pyotr Poroshenko, Ucrânia
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