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    Em 2019, o presidente francês Emmanuel Macron expressou dúvidas sobre a eficácia do Artigo 5º do Tratado da OTAN, que estipula que um ataque a um Estado-membro é "um ataque a todos os seus membros".

    A França aparentemente deixou claro que se opõe fortemente à ideia do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, de que os Estados-membros deveriam financiar mais conjuntamente o trabalho da aliança.

    Nesta sexta-feira (28), uma fonte não identificada do Ministério das Forças Armadas da França disse à Reuters que "se a ideia é aumentar brutalmente a contribuição dos países para orçamentos comuns e mudar a filosofia da OTAN, passando da responsabilidade nacional para a diluição da responsabilidade, a resposta da França será 'claramente não'".

    A fonte acrescentou que, para o governo francês, "não se trata de uma questão da OTAN contra a Europa, mas da OTAN contra a defesa nacional de cada um dos Estados-membros".

    Paris já cumpre a meta da OTAN de gastar 2% de seu PIB com defesa da aliança e estaria ainda aberta para ouvir contra-argumentos e detalhes relacionados à proposta de Stoltenberg, de acordo com a fonte.

    Stoltenberg pede aumento do financiamento da OTAN

    Os comentários seguiram a promessa do chefe da OTAN, em fevereiro, de pedir aos ministros da Defesa dos Estados-membros "que aumentassem o financiamento da OTAN" para as "atividades essenciais de dissuasão e defesa" da aliança.

    "Todas estas capacidades [militares] são fornecidas pelos aliados e os aliados que as fornecem também cobrem todos os custos. A minha proposta é que a OTAN cubra alguns desses custos", acrescentou Stoltenberg.

    O secretário insistiu que "gastar mais juntos" demonstraria "a força" do compromisso dos Estados-membros em se defenderem mutuamente de acordo com o Artigo 5º do Tratado da OTAN e "contribuiria para uma repartição mais justa dos encargos".

    Sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Bruxelas, na Bélgica (arquivo)
    © Sputnik / Yuriy Somov
    Sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Bruxelas, na Bélgica (arquivo)

    A proposta da organização prevê injetar cerca de US$ 20 bilhões (mais de R$ 100 bilhões) em orçamentos comuns ao longo de 10 anos.
    Diplomatas dizem que a proposta é vista como uma resposta às tensões de longa data da UE com os EUA, que repetidamente acusam seus aliados europeus de não contribuírem o suficiente para sua própria defesa.

    A ideia de Stoltenberg visa ainda combater o aviso prévio do presidente francês Emmanuel Macron sobre a atual ineficiência da OTAN, que foi formada em 1949 para conter uma suposta ameaça militar da então União Soviética.

    Posicionamento de Macron

    Em uma entrevista de 2019, Macron afirmou que a OTAN estava passando por "morte cerebral" devido à falta de coordenação e à imprevisibilidade norte-americana sob o então presidente dos EUA, Donald Trump.

    O presidente francês também duvidou da eficácia do artigo 5º do tratado que afirma que "um ataque a um membro da OTAN é um ataque a todos os seus membros".

    A ministra da Defesa francesa, Florence Parly, foi rápida em reagir na época, argumentando que Macron não quis sugerir o fim da OTAN, mas queria deixar claro que "ninguém deve ignorar a crise que a aliança está passando".

    Em novembro de 2018, Macron insistiu que a UE deveria ter um "verdadeiro exército europeu" independente dos EUA e da OTAN para ser capaz de se defender de supostas ameaças vindas de Washington, Pequim e Moscou. Depois que a ideia foi endossada por Merkel, Berlim e Paris concordaram em criar um sistema conjunto de aeronaves e combate, convidando outros Estados europeus a aderir ao projeto.

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    Tags:
    força conjunta, financiamento, artigo, tratado, OTAN, França, Emmanuel Macron
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