08:58 01 Março 2021
Ouvir Rádio
    Europa
    URL curta
    0 20
    Nos siga no

    A polêmica sobre terceirização, mercado de trabalho e motoristas de aplicativos ganhou um novo capítulo no Reino Unido.

    A Suprema Corte do Reino Unido definiu nesta sexta-feira (19) que motoristas da Uber têm direito a benefícios trabalhistas, como salário mínimo e folga, escreve o jornal Le Monde.

    O debate no país acontece desde 2016, após dois motoristas do aplicativo terem entrado na Justiça contra a empresa. Um tribunal trabalhista de Londres decidiu que eles tinham direitos como férias pagas e pausas para descanso.

    Desde então, a Uber recorreu, e o caso foi parar no Supremo. Com a decisão de hoje (19), os motoristas passam a ter uma série de direitos, e isso pode mudar o modelo de negócios da Uber no Reino Unido e se tornar uma bola de neve em plataformas semelhantes.

    Aplicativo da Uber nas mãos de usuário
    Filipe Araújo/Fotos Públicas
    Aplicativo da Uber nas mãos de usuário
    A Justiça, em favor de um grupo de cerca de vinte motoristas, entende que eles têm direito à condição de trabalhador - o que é diferente de empregado, que por lei possui benefícios maiores-, dado o tempo que passam ligados à plataforma e o controle exercido pela Uber.

    O Supremo Tribunal decidiu "que, ao conectar-se ao aplicativo Uber em Londres, um motorista que pode sofrer com reclamação de usuários é considerado um trabalhador ao celebrar um contrato".

    Em muitos países (incluindo o Brasil), os motoristas da Uber são atualmente tratados como autônomos, o que significa que, por lei, eles recebem apenas proteções mínimas, um status que a empresa do Vale do Silício procurou manter por meio de ações judiciais contínuas. 

    A Uber disse que o veredito da Corte não se aplica a todos os seus atuais 60.000 motoristas no Reino Unido, incluindo cerca de 45.000 apenas em Londres, um de seus mercados globais mais importantes.

    "Respeitamos a decisão da Corte, que se concentrou em um pequeno número de motoristas que usaram o aplicativo Uber em 2016", disse Jamie Heywood, representante da Uber nas regiões norte e leste da Europa.

    "Estamos comprometidos em fazer mais e agora consultaremos todos os motoristas ativos em todo o Reino Unido para entender as mudanças que eles desejam ver", concluiu.

    Logo da fachada da Uber
    © AP Photo / Eric Risberg
    Logo da fachada da Uber

    Mais:

    Brasil: governo volta atrás após incluir COVID-19 em lista de doenças de trabalho
    Ipea: mercado de trabalho brasileiro mostra estabilidade
    Justiça do Trabalho proíbe demissão de funcionários da Ford no Brasil
    Tags:
    terceirização, Uber, Reino Unido, mercado de trabalho
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar