15:16 09 Julho 2020
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    A Ucrânia deveria "insistir" que a OTAN pague US$ 200 bilhões (R$ 1,1 trilhão) pela decisão de Kiev para abandonar armas nucleares há mais de um quarto de século atrás, declarou um ex-parlamentar do país, argumentando que a medida salvou uma fortuna para a aliança.

    Em meados da década de 90, a Ucrânia abandonou o arsenal nuclear que herdou da União Soviética em troca de garantias de segurança fornecidas pelos EUA, Reino Unido e Rússia como parte do chamado Memorando de Budapeste. Agora, chegou a hora dos "parceiros ocidentais" de Kiev pagarem em dinheiro, afirmou Andrei Senchenko, ex-deputado do Conselho Supremo da Crimeia (quando península fazia parte da Ucrânia) e ex-vice-chefe interino da administração do ex-presidente Pyotr Poroshenko.

    A aliança teria que aumentar drasticamente seus gastos com defesa nas últimas duas décadas se os mísseis nucleares soviéticos estivessem nas mãos de Kiev, explicou Senchenko.

    "Os mísseis, é claro, não seriam uma ameaça para Nova York, Paris ou Berlim, mas criariam um perigo de proliferação de tecnologias nucleares e de mísseis em todo o mundo, o que é um perigo muito sério", pontuou, admitindo de fato que a Ucrânia mal conseguiria controlar adequadamente seu arsenal nuclear e tecnologias associadas em primeiro lugar.

    É verdade que, nos anos 90, a Ucrânia possuía um arsenal nuclear significativo. O número de ogivas nucleares implantadas em seu território pela URSS estava apenas atrás das possuídas pela Rússia e pelos EUA.

    Ex-parlamentar ucraniano Andrei Senchenko durante uma entrevista em Kiev
    © AP Photo / Sergei Chuzavkov
    Ex-parlamentar ucraniano Andrei Senchenko durante uma entrevista em Kiev

    Agora, o ex-deputado acredita que as nações ocidentais deveriam apreciar muito o fato de a Ucrânia não ter se tornado uma potência nuclear nos anos 90 - uma ideia de que alguns políticos em Kiev aventaram duas décadas depois.

    "O benefício direto totalizou pelo menos US$ um trilhão", especulou Senchenko, sem revelar os dados por trás de tais cálculos.

    Ele comentou ainda que a Ucrânia "tem direito a cerca de 20% desse benefício econômico", que chega a US$ 200 bilhões (R$ 1,1 trilhão). "É isso que devemos discutir com nossos parceiros ocidentais", prosseguiu Senchenko. "A Ucrânia deveria insistir nisso."

    Tempos difíceis em Kiev

    A questão ainda parece ser menos sobre o estabelecimento de pontuações antigas e mais sobre como lidar com as modernas dificuldades econômicas da Ucrânia. A economia do país ainda está sofrendo os danos que sofreu devido à alienação política da Rússia após o golpe de 2014, que viu forças pró-ocidentais se unirem a ultranacionalistas que derrubaram o governo legítimo do país.

    A Rússia costumava ser o mercado principal de muitos produtos ucranianos. A indústria de transportes e o sistema ferroviário da Ucrânia também dependiam muito do tráfego transfronteiriço entre os dois vizinhos. A demanda por serviços de tráfego também diminuiu significativamente, já que Moscou e Kiev impuseram barreiras de trânsito em meio às relações tensas.

    Senchenko, um membro do partido Pátria da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko, também foi bastante franco sobre como ele gastaria a quantia alta que Kiev poderia obter se o Ocidente concordasse de alguma forma com sua proposta.

    "Esses US$ 200 bilhões seriam iguais à dívida externa total de nosso país", afirmou ele, acrescentando que sobra o suficiente para "colocar o Exército ucraniano em perfeita forma".

    A dívida nacional da Ucrânia ficou em torno de US$ 84,73 bilhões (R$ 470,6 bilhões) em março, segundo o Ministério das Finanças, enquanto seu desempenho econômico deixa muito a desejar. No ano passado, Kiev registrou um déficit orçamentário de cerca de US$ 3,4 bilhões (R$ 18,9 bilhões). No entanto, o governo aparentemente não tem planos de reduzi-lo. Em vez disso, anunciou em março que triplicaria o déficit este ano, aumentando para US$ 10,65 bilhões (R$ 59,2 bilhões).

    Soldados ucranianos sobre o veículo blindado no Leste da Ucrânia
    © AFP 2020 / ALEXANDER KHUDOTEPLY
    Soldados ucranianos sobre o veículo blindado no Leste da Ucrânia

    E o fluxo de dinheiro de seus aliados externos parece estar secando lentamente. Em 2020, os EUA prometeram uma ajuda de cerca de US$ 700 milhões (R$ 3,9 bilhões) à Ucrânia, o que ainda era suficiente para o presidente Vladimir Zelensky agradecer pessoalmente o presidente dos EUA, Donald Trump, por seu "apoio inabalável".

    No entanto, parece que, em vez de buscar formas viáveis ​​de sair da crise, os políticos ucranianos apresentam planos cada vez mais bizarros para preencher os cofres de Kiev. Em janeiro, Oleg Tyagnibok, líder do partido Svoboda, exigiu que Moscou pagasse a Kiev "compensação" pelo que chamou de "ocupação no século 20", aparentemente se referindo aos tempos soviéticos. No entanto, o político não especificou a soma exata.

    No início do mesmo mês, o primeiro-ministro da Ucrânia, Aleksei Goncharuk, anunciou que o monopólio ferroviário estatal do país seria assumido pela Deutsche Bahn. A esperança do funcionário de arrendar a empresa estatal para investidores alemães foi rapidamente frustrada por uma pronta negação por parte do operador ferroviário alemão, dizendo que nenhum acordo foi assinado.

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    Tags:
    Donald Trump, ogivas nucleares, diplomacia, armas nucleares, União Soviética, URSS, Estados Unidos, OTAN, Volodymyr Zelensky, Pyotr Poroshenko, Ucrânia
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