15:32 27 Novembro 2020
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    As chamadas telefônicas feitas há quatro anos, onde o ex-presidente ucraniano Pyotr Poroshenko coordena a política interna do país com as autoridades dos EUA, provocaram escândalo tanto em Kiev como em Washington.

    Nas gravações de áudio o ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden e o antigo secretário de Estado John Kerry exigem do líder de um Estado formalmente independente que tome decisões que sejam convenientes para eles. Agora Poroshenko pode enfrentar acusações de traição.

    Os registros telefônicos foram divulgados pelo deputado da Suprema Rada (parlamento da Ucrânia) Andrei Derkach. O deputado recebeu os referidos registros de um "jornalista investigativo" anônimo. Derkach salientou que ele confia no informador.

    Em uma das gravações, datada de dezembro de 2015, John Kerry conversa com Poroshenko. Citando a opinião de Joe Biden, ele propõe despedir o procurador-geral da Ucrânia, Viktor Shokin. Em outro registro Poroshenko fala com Biden.

    "Joe, tenho boas notícias para você. Apesar de não haver quaisquer alegações de corrupção e informações sobre ações ilícitas da parte dele, eu pedi para ele [Shokin] se demitir. Uma hora atrás ele apresentou por escrito sua demissão", diz Poroshenko.

    O interlocutor responde: "Excelente". Então, Poroshenko reporta que a demissão do procurador-geral é mais um "passo no cumprimento das obrigações" assumidas por ele.

    Posteriormente, segue-se a nomeação de Yuri Lutsenko para o cargo de procurador-geral, esta nomeação foi acordada pelos interlocutores em uma reunião em Washington.

    Surge a frase: "Quando isso acontecer, podemos obter esse empréstimo." Assim, a nomeação da pessoa certa estava associada à assistência dos EUA no valor de US$ um bilhão.

    Formalmente Biden não dá ordens. Ele apresenta propostas difíceis de recusar. "Não quero que vocês pensem que estamos impondo a sequência de procedimentos. No entanto, nenhuma decisão final será tomada até que os requisitos do FMI sejam cumpridos", ressalta o interlocutor de Poroshenko.

    Poroshenko entende tudo muito bem e responde: "Nós votamos um aumento de taxas em 100%, embora o FMI esperasse [um aumento] de apenas 75%. Nós iniciamos a reforma das empresas públicas."

    Na sede do ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden disseram ao jornal The Washington Post que as gravações foram bastante editadas, por outro lado, a autenticidade ainda não foi refutada.

    No momento, decorrendo a campanha presidencial nos EUA e faltando pouco tempo para as próximas eleições, estas gravações vieram a calhar. O deputado Andrei Derkach focou no momento certo a atenção da população dos EUA.

    Um bilhão de dólares dos contribuintes americanos, dinheiro coletado ao povo americano comum, cabeleireiros, médicos, operários, entre outros, foi dado ao presidente de um país distante.

    Este escândalo vai dar jeito para Donald Trump, cujo oponente principal nas próximas eleições presidenciais é exatamente Joe Biden.

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    Tags:
    Ucrânia, vazamento, John Kerry, Donald Trump, eleições presidenciais, EUA, FMI, Joe Biden, Pyotr Poroshenko
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