09:08 26 Maio 2020
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    Itália representa um enigma na pandemia do coronavírus: como pode um país com apenas 60 milhões de habitantes ter mais mortes do que qualquer outra nação do mundo?

    Médicos italianos explicaram a alta taxa de mortalidade em seu país durante a pandemia por um inverno ameno, que tornou a gripe sazonal menos virulenta, de acordo com um relatório do Ministério da Saúde italiano.

    O fato de a estação da gripe ter sido menos intensa, provocando uma menor mortalidade na Itália que o habitual em novembro-janeiro, levou a que as pessoas com doenças crônicas e que foram poupadas pela gripe tenham ficado em maior risco quando o novo vírus começou a se espalhar em fevereiro e março, refere o relatório.

    As mortes neste grupo contribuíram significativamente para as estatísticas globais de mortalidade, observa a agência de notícias Bloomberg, em uma análise efetuada ao relatório.

    Menos gripe, mais COVID-19

    Segundo a Bloomberg, o relatório analisou dados de 19 cidades italianas até 21 de março. De acordo com este documento, que apresenta dados atualizados em 17 de março para a maioria das cidades, e em 21 de março para outras, a mortalidade devido à gripe de novembro a janeiro ficou 6% abaixo da média no norte do país, e 3% nas regiões centro e sul.

    É possível que a menor mortalidade no início do inverno "tenha levado a um aumento no grupo dos mais vulneráveis" que foram expostos à COVID-19, segundo o relatório italiano.

    No norte da Itália, onde ocorreu a maioria das mais de 12 mil mortes, a letalidade geral em novembro-janeiro entre pessoas com 65 anos de idade ou superior foi 6% abaixo da média dos anos anteriores. Nas cidades do centro e do sul da Itália, as mortes ficaram neste período 3% abaixo do previsto.

    O estudo não especificou quantos menos casos letais concretamente ocorreram, ou qual o aumento de pessoas vulneráveis durante esse período. Mas o número total de italianos idosos poupados pela gripe sazonal pode ter sido de centenas, com base em uma média anual de 8.000 mortes por gripe em todo o país, refere a Bloomberg.

    COVID-19 na Itália

    A taxa de mortalidade do coronavírus nos grupos etários acima dos 60 anos é de 5% a 25% e aumenta com a idade, sendo mais baixa nos outros grupos, de acordo com o relatório analisado.

    O número total de idosos que faleceram na Itália durante a pandemia já ultrapassou a taxa de mortalidade por gripe registrada nos últimos dois anos, mas este número ainda não atinge a taxa de mortalidade de três anos atrás.

    De acordo com dados atualizados em 2 de abril pela Universidade Johns Hopkins, 13.155 pessoas faleceram vítimas do coronavírus SARS-CoV-2 na Itália, 7.000 das quais na Lombardia, 110.574 foram infectadas e 16.847 recuperaram.

    Posição da OMS

    "Esta não é apenas uma má temporada de gripe", afirmou Mike Ryan, chefe do serviço de emergências médicas da Organização Mundial da Saúde (OMS), citado pela agência Bloomberg. Trata-se de "sistemas de saúde que estão em colapso sob a pressão de demasiados casos".

    A última estação da gripe começou mais cedo na Europa do que nos anos anteriores, atingindo o pico na semana que terminou no dia 2 de fevereiro, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), que acrescenta que a Itália, França, Alemanha e Espanha reportaram apenas surtos de gripe e doenças respiratórias de média intensidade.

    Um gráfico incluído no relatório italiano e analisado pela Bloomberg mostrou que as mortes entre as pessoas com 65 anos ou mais durante o surto de coronavírus até 17 de março já haviam ultrapassado os níveis das duas temporadas anteriores de gripe e aproximavam-se do total geral de mortes de 2016-2017.

    A estação da gripe foi menos mortal neste inverno devido às temperaturas amenas, concluiu o relatório do Ministério da Saúde italiano.

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    Tags:
    COVID-19, pandemia, novo coronavírus, Itália
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