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    WikiLeaks founder Julian Assange is seen on the balcony of the Ecuadorian Embassy in London, Britain, May 19, 2017

    Governo britânico assina pedido de extradição para enviar Julian Assange para os EUA

    © REUTERS / Peter Nichollspe
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    O ministro do Interior do Reino Unido revelou que assinou um pedido de extradição do co-fundador do WikiLeaks, Julian Assange, para os EUA, onde ele é acusado de violar a Lei de Espionagem.

    Falando no programa Today da BBC Radio 4, Sajid Javid declarou que assinou e certificou os trabalhos na quarta-feira, com a ordem indo para os tribunais do Reino Unido nesta sexta-feira.

    "Ele está bem atrás das grades. Há um pedido de extradição dos EUA que está nos tribunais amanhã, mas ontem eu assinei o mandado de extradição e o confirmei e que estará em frente aos tribunais amanhã", afirmou.

    O Departamento de Justiça dos EUA apresentou 17 novas acusações contra o jornalista australiano. Em maio, ele foi adicionalmente acusado de conspirar com Chelsea Manning, ex-analista de inteligência e denunciante, para obter acesso à rede do Pentágono dos EUA.

    Assange está atualmente cumprindo uma sentença de prisão no Reino Unido por violação de condicional. Aos 47 anos, ele estava doente demais para comparecer no mês passado, na última audiência na corte de magistrados de Westminster, em relação ao pedido dos EUA.

    A audiência foi remarcada para sexta-feira e, dependendo do estado de sua saúde, pode ocorrer na prisão de Belmarsh, onde ele está detido.

    O jornalista passou seis anos vivendo asilo na embaixada equatoriana em Londres, temendo que a Grã-Bretanha o entregasse aos EUA. Ele foi arrastado à força para fora do prédio em abril, depois que a nação sul-americana decidiu despejá-lo.

    Sua prisão e subsequente aprisionamento provocaram muitos protestos públicos. O ativista de direitos humanos Peter Tatchell acredita que uma sentença quase máxima de "50 semanas é excessiva e desproporcional".

    A saúde do co-fundador do WikiLeaks tem sido uma preocupação especial para seus apoiadores. Seu advogado, Per Samuelson, disse aos repórteres depois de visitar Belmarsh no final de maio que "a situação de saúde de Assange [...] era tal que não era possível conduzir uma conversa normal com ele".

    O relator especial da ONU para a Tortura, Nils Melzer, que visitou Assange em Belmarsh, afirmou que ele mostrou sinais claros de tratamento degradante e desumano, o que só contribuiu para a deterioração de sua saúde.

    A publicação da filmagem da guerra do Iraque mostrando um helicóptero americano Apache matando 12 pessoas, incluindo dois funcionários da Agência Reuters, é uma das exposições mais significativas e comentadas feitas pelo WikiLeaks.

    Apenas uma semana antes de Hillary Clinton se tornar a indicada do Partido Democrata à presidência em 2016, o WikiLeaks divulgou milhares de e-mails mostrando que as principais figuras do partido haviam colaborado para garantir que o senador Bernie Sanders não ganhasse a indicação. Os vazamentos obrigaram a líder da legenda, Debbie Wasserman-Schultz, a renunciar.

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    Tags:
    extradição, direitos humanos, ONU, Westminster, Chelsea Manning, Julian Assange, Europa, Estados Unidos, Reino Unido
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