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    Presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker durante a reunião na monte Capitolina, Roma, Itália, 5 de maio de 2016

    Juncker: É hora da Europa parar de atacar e se reaproximar da Rússia

    © REUTERS / Max Rossi
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    O chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que é hora de a União Europeia (UE) se reconectar com a Rússia e parar de "atacá-la", em surpreendente contraste com os países do Ocidente, que acumularam culpa e sanções contra Moscou.

    Juncker falou para uma audiência em um evento de reflexão sobre a reforma da UE em Bruxelas, na Bélgica. Embora sua declaração tivesse algumas mensagens subliminares, a mensagem geral era conciliatória.

    "Então temos que voltar, eu não diria relações normais com a Rússia, mas há tantas áreas, tantos domínios, onde podemos cooperar de uma maneira melhor com pesquisa e inovação e outros. Não esquecendo quais são nossas diferenças e divergências. Mas esse ataque contra a Rússia precisa ser encerrado", afirmou.

    A fala de Juncker não foi inteiramente conciliatória, no entanto. Ele disse que a UE nunca aceitaria "o que a Rússia fez" à Ucrânia e à Crimeia, referindo-se à crise de 2014 em Kiev que levou o atual governo ucraniano ao poder, e o subsequente referendo realizado na Crimeia, que resultou em mais de 90% de apoio em prol da reunificação com a Rússia.

    Um dos principais argumentos para melhores relações é o tamanho da Rússia. "Temos que ter em mente que todo o território da UE tem cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados. A Rússia [tem] 70,5 milhões de quilômetros quadrados", disse Juncker.

    Todavia, o tamanho da Rússia não impediu a UE e seus aliados de comprometer a diplomacia com uma expulsão em massa de diplomatas russos há dois meses. Um total de mais de 100 foram enviados de volta à Rússia de mais de uma dúzia de países, acusados de serem espiões disfarçados.

    As expulsões foram iniciadas pelo Reino Unido em seu esforço para culpar Moscou pelo envenenamento do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha em Salisbury, em março. Londres abriu o caminho com 23 expulsões, mas os EUA superaram todos com 60. A maioria dos outros limitou as expulsões a um a quatro diplomatas. A Rússia espelhou o ato com um número igual de expulsões.

    Mas nem todos estavam a bordo: o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, enfatizou a necessidade de construir pontes e manter um relacionamento "maduro e baseado na confiança" com Moscou, em meio à uma série de acusações.

    Juncker já havia sido criticado por não ser suficientemente hostil à Rússia. Em março, ele parabenizou Vladimir Putin por sua eleição para um quarto mandato como presidente russo, provocando a ira das principais autoridades europeias e jornalistas.

    As palavras de Juncker são indicativas de um "desconforto" crescente na UE sobre a contínua demonização da Rússia, acredita a professora de política internacional Tara McCormack, da Universidade de Leicester, especialmente desde que os EUA iniciaram uma guerra comercial contra seus parceiros transatlânticos com tarifas de importação.

    "Acho que Juncker está realmente refletindo um sentimento mais amplo em outros Estados da UE de que quaisquer que sejam as diferenças, a relação entre a UE e a Rússia precisa ser um pouco normalizada […] não acho que a Rússia será substituída [pelos EUA], mas acho que essa guerra comercial potencial reflete o tipo de fissura na relação entre a UE e a América", avaliou ela à RT.

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    Tags:
    comércio, economia, diplomacia, russofobia, relações bilaterais, União Europeia, Tara McCormack, Sergei Skripal, Vladimir Putin, Jean-Claude Juncker, Ucrânia, Crimeia, Reino Unido, Europa, Rússia
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