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    Polêmica: feminista australiana afirma que 'penas por estupro devem ser reduzidas'

    Wilson Dias/Agência Brasil
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    A feminista australiana Germaine Greer foi criticada depois que ela pediu que as sentenças de estupro fossem reduzidas, alegando que a relação sexual não consensual é apenas "sexo ruim". A fala foi proferida em um importante festival literário no País de Gales.

    Críticas surgiram no Twitter depois que Greer disse que 200 horas de serviço comunitário e um 'R' tatuado no estuprador (rapist, em inglês) seriam suficientes para compensar uma mulher por ser abusada sexualmente.

    "A maioria dos estupros não envolve nenhum tipo de ferimento", disse Greer enquanto falava no Festival Hay.

    "Dizem-nos que é um crime sexualmente violento, um especialista como Quentin Tarantino nos dirá que quando você usa a palavra estupro, você está falando sobre violência, e que é um dos crimes mais violentos do mundo. Besteira, Tarantino", acrescentou.

    E a feminista não havia terminado aí.

    "A maioria dos estupros é apenas preguiçosa, apenas descuidada, insensível. Toda vez que um homem avança sobre sua esposa exausta e insiste em desfrutar de seus direitos conjugais, ele a estupra. Isso nunca terminará em um tribunal", declarou.

    "Em vez de pensar em estupro como um crime espetacularmente violento, e alguns estupros são, pense nisso como não consensual […] isso é sexo ruim. Sexo onde não há comunicação, nem ternura, nem menção de amor", completou Germaine.

    A autora de livros como A Eunuca Feminina afirmou que seria a única maneira de as mulheres serem genuinamente acreditadas e receberem justiça.

    "Se vamos dizer para confiar em nós, acreditar em nós, se dissermos que nossa acusação deve ser uma evidência, então temos que reduzir a sentença por estupro", avaliou.

    Seus comentários provocaram fúria no Twitter, com usuárias questionando sua pretensão de ser feminista e acusando-a de total "ignorância" sobre o assunto.

    Não é a primeira vez que Greer provoca indignação. Ela foi acusada em 2015 de ser "grosseiramente ofensiva" depois que ela disse que as mulheres trans nunca podem ser realmente mulheres. Ela falou disso no programa Victoria Derbyshire, da rede britânica BBC.

    "Só porque você tira o seu [pênis] e depois usa um vestido não faz de você uma mulher sexy. Pedi ao meu médico que me desse ouvidos longos e manchas no fígado e usaria um casaco marrom, mas isso não me transformaria em um f* cocker spaniel", afirmou.

    Manifestação contra a cultura do estupro no Rio de Janeiro
    Tomaz Silva/Agência Brasil/FotosPúblicas

    "Eu entendo que algumas pessoas nascem intersexuais e merecem apoio para chegar a um acordo com seu gênero, mas não é a mesma coisa. Um homem que faz o seu [pênis] cortado na verdade está infligindo um ato extraordinário de violência em si mesmo", destacou.

    No mesmo evento, Germaine detalhou sua experiência de ser estuprada com a idade de 18 anos. Ela disse que foi espancada por um homem que ordenou que ela dissesse "f *-me". Ela disse que não tem certeza se disse ou não, mas acrescentou: "Como isso ficaria no meu celular no tribunal dizendo 'f*-me'?". À época, ela não relatou o incidente à polícia.

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    Tags:
    Lei Maria da Penha, sexo, polêmica, feminismo, abuso sexual, estupro, Germaine Greer, Quentin Tarantino, País de Gales, Austrália
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