04:30 15 Dezembro 2019
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    Chanceler da Alemanha Angela Merkel

    Merkel segue 'caminho destrutivo' e só tem a perder com novas eleições, dizem analistas

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    A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vive um dilema: sem conseguir uma coalizão que lhe dê a maioria no Parlamento e se recusando a liderar um governo minoritário, ela vê as novas eleições como único caminho viável. Mas, para especialistas, ela só tem a perder se tomar tal decisão.

    "Será um passo para trás para ela. Não acho que haja possibilidade de que ela possa fazer os 34% que fez em setembro. Ela está na descendente. A população votante ficará bastante desapontada com o resultado de suas negociações. Sua posição foi atingida", avaliou Steven Meissner, observador político independente, ao RT.

    Para o analista, os dias de Merkel no comando da Alemanha estão contados e, "no máximo, ela fará 29% ou 30%" em caso de uma nova eleição. "Em outras palavras, ela estará em uma posição ainda mais fraca do que ela é agora", ponderou. Na opinião dele, o partido da chanceler, a CDU, deveria buscar outro candidato e recomeçar com um rosto novo, o que não seria nada fácil neste momento.

    O fracasso das negociações com os Verdes e com os Democratas Liberais do FDP já era esperado, na visão de Meissner, que não acredita ainda que um governo minoritário – algo inédito na história alemã – pudesse durar mais do que um ou dois anos.

    "Se ela tivesse alguma honra real como líder, ela teria recuado na noite das eleições, e ela não o fez. Então eu não espero que ele desista agora também. Ela pode dar um passo para trás e dizer que iria desistir e abrir espaço para um novo líder partidário, e ele ou ela vai entrar nas eleições com melhores chances do que ela", analisou.

    Quem pode ganhar com calvário de Merkel?

    A perspectiva de "apego ao poder" de Merkel também foi pontuada por Max Otte, professor de administração de empresas internacionais e internacionais na Universidade de Ciências Aplicadas de Worms. Segundo ele, a perspectiva de uma coalizão como a que vinha sendo negociada pela premiê era "muito improvável e estranha".

    "Fiquei surpreso que ela realmente indicou que pedirá novas eleições porque acho que ela vai perder mais. Acho que ela passou do seu auge e ela deve se afastar. Ela não reconheceu a chamada do tempo. E, em algum momento, mais ou menos, a realidade a atingirá. Eu acho que ela deve renunciar, ela falhou completamente e este é o recibo para isso", avaliou.

    Ainda de acordo com Otte, culpar os Democratas Liberais pelo fracasso das negociações é um equívoco, uma vez que eles seguiram sensatos às suas pautas. Por outro lado, essa posição do FDP pode favorecer o partido em caso de novas eleições, o mesmo valendo ainda para a direita conservadora da Alternativa para Alemanha (AfD).

    "Se houver novas eleições, tenho certeza de que o FDP e provavelmente também o AfD — o partido da oposição que entrou em um parlamento com 13,6% dos votos — ganhará porque há uma parte bastante silenciosa e significativa da população que quer uma mudança na política de imigração. Eu ficaria surpreso se tivéssemos novas eleições, mas Merkel aparentemente afirmou que as teremos", destacou.

    O analista concluiu afirmando que Merkel deveria tentar governar com um governo minoritário, ao invés de forçar o país a voltar às urnas.

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    Tags:
    coalizão jamaica, política, eleições na Alemanha, FDP, CSU, CDU, Max Otte, Steven Meissner, Angela Merkel, Alemanha
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