20:56 23 Outubro 2019
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    Militares tchecos do batalhão aéreo antes dos exercícios da OTAN, República Tcheca, abril de 2015

    Por que países-membros da OTAN não terão que cumprir ultimato de Washington?

    © AFP 2019 / MICHAL CIZEK
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    O secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, declarou que, a não ser que os europeus queiram ver como os EUA descartam uma parte de suas obrigações, os governos dos países-membros da OTAN devem mostrar que apoiam a defesa comum.

    O vice-chefe do Comitê de Defesa da Câmera dos Deputados tcheca, Aleksandr Cerny, comentou à Sputnik República Tcheca como devem atuar os países europeus perante esta situação.

    Segundo disse Cerny, as declarações de Mattis não foram um ultimato. Todos os membros têm que aumentar seus gastos militares para o nível de 2% do PIB, ou seja, se trata de introduzir como regra o aumento dos gastos no domínio militar.

    Entretanto, entre 10 e 15 países da OTAN não conseguiram alcançar este nível, inclusive a República Tcheca. Na opinião de Cerny, afinal das contas, seu país não terá que alcançar estes 2%.

    "Por quê? Porque conseguiremos este nível somente no ano 2025. Não obstante, a situação internacional vai melhorar muito mais depressa. Estou falando da normalização das relações entre os EUA e a Rússia, e provavelmente mesmo das relações entre Washington e Pequim", especificou.

    Para os tchecos, é mais que suficiente a parcela que o país dedica à defesa hoje em dia, e que supera 1% do PIB, opina Cerny. O deputado também adiantou que, com a passagem do tempo, é possível que os gastos militares do país até diminuam.

    "Necessitará a Europa da OTAN neste cenário ou talvez lhe baste seu próprio exército, do qual se fala tanto?", se pergunta ele.

    Segundo ele explicou, sem os Estados Unidos a Aliança Atlântica perderia seu significado e, caso Washington e Ottawa decidam sair da OTAN, é muito provável que surja um organismo militar conjunto da Europa. Porém, seria outro tipo de aliança com "ambições diferentes", observou Cerny.

    O entrevistado considera que as manobras conjuntas não fazem senão aproximar a realização deste projeto, recordando que os ministros da Defesa tcheco e alemão assinaram um acordo de cooperação entre a 4ª Brigada de Reação Rápida da República Tcheca e a 10ª Divisão Blindada da Alemanha.

    Cerny concluiu que o fortalecimento do exército alemão não ameaça Praga e assinalou que a República Tcheca realiza manobras em colaboração com outros países europeus.

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    Tags:
    exército europeu, militar, gastos, defesa, União Europeia, OTAN, Donald Trump, James Mattis, EUA, República Tcheca
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