06:17 19 Agosto 2017
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    Roma, capital da Itália

    Europa necessita de se juntar à Rússia para 'se proteger' da China

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    Europa
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    Os países da Europa, especialmente a Itália, continuam apoiando as sanções contra a Rússia sob a pressão de Obama, empurrando assim a Rússia para a China. Ao mesmo tempo, os chineses têm estado a trabalhar, a crescer, a investir, a comprar países inteiros e preparam-se para dirigir o mundo.

    A solução deste problema poderá ser a aproximação entre Europa e a Rússia.

    Presidente da China, Xi Jinping, durante um discurso na Coreia do Sul, em 2014
    © Fotobank.ru/Getty Images/ SeongJoon Cho
    Na semana passada, a caminho da América Latina, o presidente chinês Xi Jinping fez escala na Sardenha. Os detalhes do seu encontro com o premiê italiano Matteo Renzi não foram comunicados pela mídia.

    É possível que, em breve, as partes possam anunciar projetos conjuntos. Entre eles poderá estar o fornecimento para a China de gás natural liquefeito, extraído pela petrolífera italiana ENI em jazidas de diferentes partes do mundo, e também de outras formas de colaboração entre os dois países.

    A agência Sputnik Itália falou com Alberto Forchielli — economista, empreendedor e um dos fundadores da companha de investimento Mandarin Capital Partners.

    Sputnik: Muitas marcas, desde a ENI até equipas de futebol, pertencem parcialmente à China. Será que é possível dizer que a China irá em breve comprar toda a Itália?

    Alberto Forchielli: Tudo que era possível comprar na Itália já foi comprado. Primeiramente, a China busca tecnologias nos países ocidentais. E busca em tais países onde elas existem, nomeadamente na Alemanha e nos EUA. Em ambos os países a questão da limitação dos investimentos chineses está sendo discutida. Existem mesmo projetos de lei nesse sentido.

    Talvez na Itália, a China possa comprar a Comau, que produz robôs. Eu não sei se eles poderão estar interessados na STM, que fabrica semicondutores e é parcialmente controlada por italianos. E não há mais nada valioso. Na Itália há ainda a produção de equipamentos automáticos, mas eu não vejo interesse por parte dos chineses. Talvez porque nesta área eles também alcançaram um nível suficientemente elevado. Não é tão alto como na Itália, mas é aceitável para eles.

    S: O senhor aconselharia os jovens italianos mudar para outros países? Para quais?

    AF: Sim. Claro. Itália é um país para idosos. É necessário mudar para a UE, enquanto ela ainda existe. Especialmente para tais países da Europa onde as coisas estão melhores do que em Itália. Para os países anglo-saxónicos, onde o visto permite viver. Para a Rússia onde, na minha opinião, a atitude para com os italianos é bastante favorável. Gostaria que houvesse uma maior integração entre a Rússia e a Europa. Gostaria  que a UE fosse maior e incluísse a Rússia.

    Esta é a única forma de salvar algo. Se a Rússia ficar muito próxima da China, será um grande erro, um erro que nós cometemos empurrando a Rússia para as mãos da China. Por isso, para mim é lamentável, porque eu sei que na Rússia há muitas novas tecnologias e que este país tem uma simpatia histórica para com a Itália.

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    Tags:
    projetos, novas tecnologias, cooperação econômica, integração, Matteo Renzi, Xi Jinping, Barack Obama, Itália, Europa, China, Rússia
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