03:15 19 Dezembro 2018
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    Marcelo Florentino Soares, ciclista brasileiro durante a Red Bull Trans-Siberian Extreme

    'Tour de France para adultos': Brasileiro completa rota transiberiana de bicicleta (FOTOS)

    © Foto : Divulgação/Red Bull
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    O ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares completou neste ano a prova mais longa de ciclismo do mundo: a Red Bull Trans-Siberian Extreme. De Moscou até Vladivostok, com distância total de 9,1 mil quilômetros e duração de 25 dias, a corrida passa por sete fusos horários diferentes e cinco zonas climáticas.

    "Mixirica", como também é conhecido, terminou em terceiro lugar depois das 346 horas e 19 minutos de duração da jornada. Em entrevista à Sputnik Brasil, Marcelo contou que chegou a enfrentar temperaturas de —4ºC e até 30ºC.

    "Esse ano teve chuvas fortes e quando chovia a temperatura baixava para três graus. Nas madrugadas, quando foi entrando na Sibéria, chegou a —4ºC, mas depois foi melhorando aos poucos", conta.

    No Salar de Uyuni, Bolívia. O maior deserto de sal do mundo.
    Daniel Marenco/ Expedição Fuscamerica/ Divulgação
    Marcelo Soares precisou enfrentar as subidas e descidas dos Montes Urais e vencer a rodovia transiberiana, que não é asfaltada em todos em trechos, e passa perto das fronteiras com Cazaquistão, Mongólia e China.

    A dificuldade alta da prova fez com que somente seis ciclistas de seis países diferentes se inscrevessem. Apenas cinco conseguiram terminar. "Eram três novinhos e três velhinhos, eu era um dos três velhinhos", disse Marcelo.

    A Red Bull Trans-Siberian Extreme é três vezes maior do que o Tour de France e duas vezes a extensão do Race Across America.

    "O Red Bull Trans-Siberian Extreme é tipo um Tour de France para adultos", brinca.

    O grande favorito ao título era o russo Vladimir Gusev, mas ele sofreu com dores no joelho direito, abandonou algumas etapas e acabou desclassificado. A prova foi conquistada pelo alemão Pierre Bischoff.

    • O ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares ficou em 3º lugar na Red Bull Trans-Siberian Extreme
      O ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares ficou em 3º lugar na Red Bull Trans-Siberian Extreme
      © Foto : Divulgação/Red Bull
    • O ciclista brasileiro Marcelo Florentino enfrenta neblina durante a Red Bull Trans-Siberian Extreme
      O ciclista brasileiro Marcelo Florentino enfrenta neblina durante a Red Bull Trans-Siberian Extreme
      © Foto : Divulgação/Red Bull
    • Michael Knudsen da Dinamarca, Marcelo Florentino Soares do Brasil e Pierre Bischoff da Alemanha durante a linha de chegada da 15ª etapa de Khabarovsk para Vladivostok
      Michael Knudsen da Dinamarca, Marcelo Florentino Soares do Brasil e Pierre Bischoff da Alemanha durante a linha de chegada da 15ª etapa de Khabarovsk para Vladivostok
    • Ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares durante Red Bull Trans-Siberian Extreme
      Ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares durante Red Bull Trans-Siberian Extreme
      © Foto : Divulgação/Red Bull
    • Ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares durante a Red Bull Trans-Siberian Extreme
      Ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares durante a Red Bull Trans-Siberian Extreme
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    © Foto : Divulgação/Red Bull
    O ciclista brasileiro Marcelo Florentino Soares ficou em 3º lugar na Red Bull Trans-Siberian Extreme

    A competição foi dividida em 15 etapas em que a mais curta tinha 260 km e a mais longa 1.372 km. Nessa última o brasileiro pedalou por 55 horas com pequenas pausas para cochilar e descansar.

    Mixirica passou por dificuldades ao longo da travessia. Na sétima etapa quase abandonou a prova porque estava sofrendo com problemas estomacais.

    "Eu estava vomitando muito, o médico falou que eu tinha que sair da prova e foi aí eu dei uma acordada. O médico me deu um susto, eu acordei e continuei na prova. Nesse dia o Vladimir Gusev perdeu a etapa e eu assumi o terceiro lugar", contou.

    Marcelo Florentino Soares não tinha patrocínio fixo e precisou da ajuda de amigos, rifas e vaquinha na internet para cobrir os R$ 10 mil reais gastos com passagens e outras despesas, além dos 25 mil euros da taxa de inscrição, equivalente a quase R$ 120 mil.

    A organização oferece aos atletas um restaurante móvel, fisioterapeutas, médicos e mecânicos.

    Essa não foi a primeira vez que Marcelo fez a travessia transiberiana. Ele já havia participado da prova em 2017 e disse que é sempre bem recebido na Rússia.

    "Eu sempre fui bem recebido lá, eles gostam muito de brasileiros. Me receberam com muito carinho, cuidaram muito bem de mim. É um país enigmático, organizado e poderoso".

    A próxima meta do ciclista nascido e criado no Jardim Ângela, periferia da cidade de São Paulo, é competir no Race Across America, em que os ciclistas cruzam 4.800 quilômetros da costa oeste à costa leste dos Estados Unidos em 11 dias.

    Ouça a entrevista na íntegra:

    Tags:
    transiberiana, bicicleta, ciclista de estrada, ciclista, ciclismo, Red Bull, Marcelo Florentino Soares, Rússia, Brasil
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