13:31 21 Setembro 2018
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    Equipe do Lokomotiv Rio recebe o uniforme enviado pelos torcedores do Lokomotiv Yaroslavl

    Cônsul russo entrega uniforme do Lokomotiv Yaroslavl ao Lokomotiv Rio

    Renan Lúcio / Sputnik Brasil
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    O cônsul-geral da Federação Russa no Rio de Janeiro, Vladimir Tokmakov, entregou neste domingo o uniforme enviado pelos torcedores do Lokomotiv Yaroslavl, da Rússia, aos jogadores do time de hóquei inline do Lokomotiv Rio, criado há três anos em homenagem ao clube russo, atingido por um trágico acidente no final de 2011.

    A cerimônia, realizada na Sociedade Civil Mandala, na Barra da Tijuca, contou com a presença do prefeito Eduardo Paes, que ajudou o cônsul na entrega. As vestimentas foram um presente dos fãs da equipe russa, que ficaram comovidos ao saber da existência do time brasileiro, que também participa de disputas no gelo. 

    Cônsul da Rússia na capital fluminense e prefeito entregam os uniformes enviados pelos torcedores do Lokomotiv Yaroslavl ao Lokomotiv Rio
    Renan Lúcio / Sputnik Brasil
    Cônsul russo e prefeito carioca entregam uniformes aos jogadores do Lokomotiv Rio

    Em entrevista à Sputnik, na Rússia, o líder da torcida do Lokomotiv Yaroslavl, Yuri Ivanov, explicou que a ideia de mandar o uniforme para os cariocas partiu dos próprios torcedores.

    "A gente se emocionou com o fato de que tem pessoas num país quente, longe daqui, que conhecem o nosso time e guardam a memória da nossa equipe que morreu numa catástrofe aérea há quase oito anos. Porque foi em homenagem àquele nosso time que o Lokomotiv Rio escolheu esse nome. Isso tocou  a alma de muitos dos nossos torcedores. Além do próprio fato de que existe um grupo de entusiastas que está promovendo o hóquei no país do futebol. A gente achou isso lindo e muito importante!", disse ele, lembrando do acidente aéreo que vitimou a delegação da equipe russa em 7 de dezembro de 2011, durante uma viagem a Minsk, na Bielorrússia, onde faria a partida de abertura da temporada 2011-2012 do Campeonato de Hóquei no Gelo. Ao todo, 45 pessoas morreram por conta da tragédia.

    Segundo Ivanov, a TV russa realizou uma reportagem especial sobre o Lokomotiv Rio há uns seis meses, apresentando uma história incrível, que os russos, até então, desconheciam.

    "Foi quando a gente viu uma matéria na TV sobre este time brasileiro. E aí, algumas pessoas da nossa torcida se interessaram. Esses torcedores divulgaram essa informação através do nosso site. Mais pessoas se juntaram a nós, a gente fez uma 'vaquinha' e comprou os uniformes".

    De acordo com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, a atitude dos atletas cariocas e da torcida de Yaroslavl é mais uma prova de como o esporte é capaz de unir povos.

    "Só o esporte faz isso", comentou Paes.

     

    Desafio no gelo

    Apesar do pouco tempo de existência, o Lokomotiv Rio é o time que mais fornece jogadores para a Seleção Brasileira de Hóquei no Gelo, comandada pelo americano Jens Hinderlie, que joga no clube carioca. Segundo ele, apesar do esforço de todos os envolvidos, tanto o Lokomotiv quanto a equipe brasileira ainda tem um longo caminho pela frente até atingir um nível competitivo internacionalmente nessa modalidade. 

    Julio Baptista, Eduardo Paes, Jens Hinderlie, Vladimir Tokmakov e Daniel Baptista
    Renan Lúcio / Sputnik Brasil
    Julio Baptista, Eduardo Paes, Jens Hinderlie, Vladimir Tokmakov e Daniel Baptista

    Parte do problema, conforme explicou Daniel Baptista, dirigente e jogador do time, se deve à falta de estrutura para um esporte que ainda é uma grande novidade no Brasil. Ele explica que, ao contrário do que acontece em outros países, aqui, todos os jogadores possuem outras profissões e, por isso, não podem se dedicar integralmente ao hóquei. Além disso, a falta de locais adequados para treinar é outro grande problema.

    "O hóquei no gelo no Brasil é muito limitado, porque não existe quadra oficial. A maioria dos jogadores de hóquei no gelo morou fora e treina no Brasil o inline, que é no piso de cimento". 

    Legalmente, a equipe nacional de hóquei no gelo existe desde 1984. Mas, na prática, só em 2014 começou a competir, pouco depois da criação do Lokomotiv Rio, que forneceu 10 atletas para a seleção no último Pan-Americano, disputado em junho passado. O Brasil ficou na quarta posição.

    "Eles têm muito talento. Eles sabem como jogar o jogo, mentalmente. Mas seus corpos, no gelo, não se movem tão rápido quanto suas mentes", explicou Hinderlie, falando sobre a necessidade de seus jogadores terem mais contato com o gelo, algo que está previsto no calendário de treinamento internacional da equipe. 

    "Eu tenho muita esperança no nosso futuro", acrescentou. 

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    Tags:
    esportes, hóquei, Sociedade Civil Mandala, Sputnik Brasil, Lokomotiv Yaroslavl, Lokomotiv Rio, Daniel Baptista, Vladimir Tokmakov, Eduardo Paes, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil
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