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    Rússia, China, Irã e são alguns dos países que iniciaram uma corrida para criar sistemas de pagamento alternativos ao SWIFT, a fim de escapar de chantagens dos EUA em meio a uma implacável guerra financeira.

    Sistema criado com o objetivo de estabelecer uma linguagem comum para transações financeiras no mundo em um sistema de processamento de dados e uma rede de telecomunicações, o SWIFT (sigla em inglês para Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais) é um sistema internacional interbancário de transmissão de informação e pagamentos ao qual são conectadas mais de 11 mil das maiores organizações de quase todos os países.

    Criado na década de 1970, o SWIFT atualmente opera não só em tecnologias de ponta, mas também em infraestrutura planetária, permitindo ao governo dos EUA bloquear nações e instituições que considere inimigas e chantagear quem não tem outra alternativa de intermediação financeira.

    Da emergência surge o desafio e do desafio emergem as capacidades que podem legar ao mundo novas tecnologias e infraestruturas que possibilitem um vínculo confiável entre os sistemas financeiros do planeta na salvaguarda da segurança das nações que aspiram ser livres.

    O líder chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin mostram suas habilidades culinárias durante o Fórum Econômico Oriental em Vladivostok, na Rússia, 11 de setembro de 2018
    © Sputnik / Mikhael Klimentyev
    O líder chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin mostram suas habilidades culinárias durante o Fórum Econômico Oriental em Vladivostok, na Rússia, 11 de setembro de 2018

    As alternativas

    Desde 2014, a Rússia começou a desenvolver uma plataforma alternativa ao SWIFT, o Sistema de Transferência de Mensagens Financeiras (SPFS, na sigla em inglês). A iniciativa ocorreu devido à ameaça dos EUA de querer desconectar a Rússia do sistema SWIFT.

    Em 2019, Rússia, Índia e China, membros do bloco comercial BRICS, decidiram conectar seus sistemas de transações financeiras para contornar o SWIFT. Dessa forma, o SPFS foi ligado ao Sistema Chinês de Pagamento Internacional (CIPS, na sigla em inglês).

    Em abril deste ano, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergri Lavrov, pediu ao Banco Central da Rússia e ao governo Putin para garantir a confiabilidade do SPFS, após uma nova escalada de pressão dos países europeus contra Moscou. Na ocasião, o Parlamento Europeu propôs desconectar a Rússia do SWIFT.

    "Ambas as iniciativas [SPFS e CIPS], embora sejam recentes, já abrem esperança em alternativas diferentes do sistema SWIFT", afirma à Sputnik Mundo Juan Carlos Valdez, especialista venezuelano em direito tributário e economia política.

    "Embora o sistema russo tenha muitas limitações para transferências internacionais e o sistema chinês tenha um grau de dependência do sistema SWIFT, ambos os sistemas buscam no médio prazo se tornarem alternativas mais seguras e eficientes para a transmissão de dados para transferências financeiras", garante Valdez.

    Presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, conversam com auxílio de intérpretes durante encontro dos líderes do BRICS no Itamaraty, em Brasília, 14 de novembro de 2019 (foto de arquivo)
    © AP Photo / Pavel Golovkin
    Presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, conversam com auxílio de intérpretes durante encontro dos líderes do BRICS no Itamaraty, em Brasília, 14 de novembro de 2019 (foto de arquivo)

    Para o especialista venezuelano, a China tem uma grande expansão comercial global que pode vir a servir de plataforma para atrair gradativamente bancos ao seu sistema, o que favoreceria no médio prazo deslocar a hegemonia do SWIFT e evitar que este sistema seja usado como "arma" de guerra pelos EUA e seus países aliados.

    "O sistema russo, por sua vez, apresenta-se como mais uma opção confiável, mas sua expansão internacional passa pelo fortalecimento das fragilidades que o sistema hoje apresenta e pela manutenção de sua aliança estratégica com a China", destaca o Valdez.

    Soberania das nações

    Em conversa com a Sputnik, o economista Tony Boza acrescenta alguns dados valiosos para mostrar a importância da criação de sistemas financeiros alternativos.

    "Em relação à dependência do uso do dólar, até o primeiro trimestre de 2020, o uso dessa moeda no comércio entre os dois países [Rússia e China] caiu para menos de 50%, quando há apenas quatro anos esse percentual girava em torno de 80%", destaca Boza.

    Em uma pesquisa recente, pesquisadores Sergio Rosanovich e Lucía Converti, do Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica consideram que se trata de salvaguardar a soberania das nações, especialmente na América Latina, concebendo um "mecanismo regional que permita contornar as tentativas de bloqueio financeiro que pretendem impor poderes externos à região".

    Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura cruz feita de folhas de palmeira durante pronunciamento em Caracas
    © REUTERS / Palácio Miraflores
    Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura cruz feita de folhas de palmeira durante pronunciamento em Caracas

    Na mesma linha, Boza acredita que é recomendável que países como a Venezuela, que tem sentido mais fortemente o impacto das sanções unilaterais dos EUA, realizem ações de coordenação com outros países da região, e com a China e a Rússia, com o objetivo de conciliar "plataformas de validação de transações financeiras".

    No entanto, o economista venezuelano acredita que essa não é a única forma de avançar na superação da chantagem que a Casa Branca impõe aos países por meio do formato financeiro.

    "A Venezuela tem promovido o uso de criptoativos, como o petro, orientados na mesma direção de desdolarizar a economia venezuelana, criando ferramentas para a liberação do sistema financeiro internacional e conseguir independência nas relações comerciais internacionais, especialmente para contornar a série de medidas coercitivas unilaterais, em violação do direito internacional, implementadas pelos EUA contra nossa pátria", finaliza Boza.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Venezuela, China, Rússia, EUA, SWIFT, SWIFT, CIPS, CIPS
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