03:34 05 Dezembro 2020
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    As guerras financeiras provocadas pelas sanções dos EUA aos bancos chineses não estão beneficiando os norte-americanos, que estão vendo a China manter o crescimento da demanda do dólar.

    No segundo semestre de 2020, todos os países venderam títulos dos EUA por um valor de US$ 500 bilhões (R$ 2,6 trilhões), enquanto a China, por sua vez, já se desfez de um terço destes instrumentos financeiros, destaca Michael Howell, chefe da empresa CrossBorder Capital em seu artigo para o Financial Times.

    Desde sua adesão à Organização Mundial do Comércio, o gigante asiático tem apoiado a demanda de dólares do mundo, reduzindo desta maneira o custo dos empréstimos aos EUA.

    À medida que a China segue abandonando os instrumentos financeiros denominados na moeda norte-americana, sua demanda seguirá caindo, fazendo com que seja cada vez mais difícil e dispendioso para Washington financiar seu déficit orçamentário.

    Alguns funcionários chineses citam a necessidade de o país se tornar independente do dólar o quanto antes e promover a internacionalização do yuan.

    O Senado norte-americano aprovou sanções pela suposta repressão da etnia uigur na Região Autônoma chinesa de Xinjiang e a adoção por parte da China da lei de segurança nacional para Hong Kong.

    Para que estas restrições entrem em vigor, ainda devem ser aprovadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Entretanto, Trump demora para adotar medidas contra a China, pois teme que as negociações comerciais entre os dois países fracassem.

    Após a pandemia, a economia norte-americana entrou em queda livre e os políticos norte-americanos parecem estar decididos a jogar a carta da suposta ameaça chinesa.

    Atualmente, o dólar e o euro seguem sendo utilizados na maior parte do comércio, recordou Chen Fengying, especialista do Instituto de Economia Mundial da Academia de Relações Internacionais Contemporâneas da China.

    "O problema ainda maior é o das reservas cambiais da China. É preciso mais tempo e esforços para que Pequim possa se desfazer do dólar. Podemos notar que todos os países do mundo que enfrentam a hegemonia do dólar tentam acabar com esta dependência, porém não há outra alternativa. O mesmo pode se dizer sobre o euro", advertiu, adicionando que, a longo prazo, a desdolarização na China deveria se converter em um objetivo e não ser apenas um desejo.

    A curto prazo, as sanções contra a China podem prejudicar também os EUA. Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), a China gera 13% das exportações e 11% das importações mundiais e, se o dólar deixar de ser utilizado em seus pagamentos internacionais, isso poderia provocar turbulências no sistema financeiro dos EUA.

    O dólar é, há anos, a moeda de pagamento de mais de metade dos contratos internacionais, sendo atualmente usado em aproximadamente 40% dos contratos comerciais.

    Yuan e dólar
    © Depositphotos / Koydesign
    Yuan e dólar

    A utilização do dólar como principal moeda do mundo permitiu aos EUA terem um grande déficit orçamentário durante décadas, já que este tem sido financiado por outros países.

    Para Chen, é impossível deixar de investir na dívida dos EUA. Entretanto, devido ao impacto da chamada flexibilização quantitativa e do enorme déficit orçamentário, os títulos do Tesouro não podem ser considerados como um instrumento muito confiável.

    "Pode-se dizer que todas as maçãs já estão podres. Porém, entre todas elas, o dólar segue sendo confiável. Se outras moedas tivessem inspirado confiança, já estaríamos pagando com elas. Porém, infelizmente, não há alternativa. Este é um problema real da economia mundial", concluiu.

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    Tags:
    sanções, dinheiro, economia, China, EUA, Dólar
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