23:09 03 Junho 2020
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    O procurador-geral dos EUA, William Barr, propõe que os EUA adquiram o "controle acionário" da finlandesa Nokia e da sueca Ericsson para poder competir com a chinesa Huawei.

    Em uma declaração incomum, o procurador-geral dos EUA, Willian Barr, disse que os EUA e seus aliados deveriam considerar a aquisição do controle acionário de empresas europeias para poder competir com a chinesa Huawei, que tomou a liderança no mercado de tecnologia 5G.

    "É ótimo que estamos falando para os nossos aliados não instalarem os equipamentos da Huawei. Mas então qual equipamento eles devem instalar?", questionou o procurador-geral.

    Durante uma conferência sobre espionagem econômica chinesa, Barr disse que uma forma eficaz de conter o avanço da Huawei seria "os Estados Unidos se alinharem com a Nokia ou com a Ericsson".

    O "alinhamento" poderia ser feito "através do controle acionário por parte dos EUA, diretamente ou através de um consórcio de empresas privadas americanas e aliadas", disse.

    "Colocar nosso grande mercado e capacidade financeira apoiando uma ou ambas essas empresas seria uma maneira de criar um concorrente muito mais formidável", disse Barr.

    "Nós e nossos aliados deveríamos certamente considerar essa abordagem", disse o procurador durante o evento promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).

    A capitalização conjunta da Nokia e da Ericsson é de cerca de US$ 50 bilhões (R$ 214 bilhões) e o procurador não especificou de onde viriam os recursos para Washington adquirir o controle acionário, ou se os reguladores estrangeiros aprovariam a medida.

    A Ericsson não quis comentar as declarações, enquanto a Nokia não respondeu imediatamente, reportou a Reuters. O preço das ações das duas empresas subiu após os comentários de Barr.

    Logo da empresa sueca Ericsson exposto em congresso na cidade chinesa de Xangai (foto de arquivo)
    © REUTERS / Aly Song
    Logo da empresa sueca Ericsson exposto em congresso na cidade chinesa de Xangai (foto de arquivo)

    Os Estados Unidos, que reiteradamente acusaram a Huawei de ser financiada pelo Estado, parecem estar se preparando para fazer o mesmo, disse à Sputnik China Gong Honglie, especialista da Universidade de Naning.

    Para ele, as declarações de Barr seriam um reconhecimento tácito de que Washington perdeu a corrida pelo desenvolvimento da tecnologia 5G.

    "Os EUA normalmente contam com as empresas privadas para a promoção da inovação. Mas, no caso do 5G, as empresas privadas nem sempre conseguem prever as tendências ou mobilizar os recursos necessários. Na China, por outro lado, o Estado desempenha um papel importante nessa área, e aloca os recursos de maneira eficiente. Por isso, nós passamos na frente".

    "Os EUA reconheceram isso e agora estão apostando na interferência estatal para desenvolver o sistema 5G. Acredito que esse problema está surgindo em muitas outras áreas de contato entre os sistemas econômicos dos EUA e da China", concluiu Gong.

    Durante a conferência, membros do governo e da comunidade jurídica dos EUA fizeram acusações graves contra a China, acusando-a de "roubar" tecnologias norte-americanas em "praticamente todos os setores industriais".

    O tom muito crítico dos participantes não poupou as instituições acadêmicas americanas, que teriam permitido que a China "abrisse institutos em nossas universidades" e infiltrasse "agentes em nossos campus".

    Os comentários de altos membros do judiciário norte-americano sugerem que a campanha agressiva da administração Trump contra a China deve continuar.

    A campanha inclui acusações contra acadêmicos das principais universidades norte-americanas.

    No mês passado, procuradores acusaram o chefe do Departamento de Química e Bioquímica da Universidade de Harvard, Charles Lieber, de mentir sobre a sua participação em um programa chinês chamado "Plano Mil Talentos", que tem como objetivo atrair especialistas e pesquisadores trabalhando no exterior.

    A embaixada da China em Washington rejeitou as alegações norte-americanas, classificando-as de "totalmente infundadas".

    "O aumento do intercâmbio de pessoas entre a China e os EUA conduz a um maior entendimento entre as duas sociedades e serve os interesses fundamentais de ambos os países", declarou a embaixada.

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    Tags:
    EUA, China, Nokia, Ericsson, Huawei
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