14:17 31 Março 2020
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    Exportadores norte-americanos de gás natural perdem mercados estrangeiros e produtores de gás natural liquefeito (GNL) esperam colapso iminente, asseguram analistas do Bank of America (BofA, na sigla em inglês).

    O novo ano trouxe várias surpresas desagradáveis aos exportadores de gás dos EUA. Em primeiro lugar, o inverno anormalmente quente afetou a demanda na Europa. Em 2019, Bruxelas se preparou para uma possível interrupção do transporte de gás russo pela Ucrânia, vindo a armazenar combustível para sobreviver a um inverno frio que nunca chegou. Portanto, as instalações europeias de armazenamento de gás estão cheias de combustível e a União Europeia simplesmente não precisa mais importar.

    O mercado asiático vive uma situação semelhante. O acordo entre China e Estados Unidos prevê a compra de hidrocarbonetos norte-americanos. Porém, o surto do coronavírus diminuiu a produção industrial e demanda por energia.

    Além do mais, após a inauguração do gasoduto Força da Sibéria, o gás norte-americano perdeu competitividade no mercado chinês. Pequim compra matérias-primas dos EUA somente por razões políticas, afirma colunista Aleksandr Lesny em seu artigo para a Sputnik.

    Acordo verde, uma ameaça em longo prazo para o GNL

    A União Europeia anunciou a revisão das regras da indústria de gás na Conferência Europeia de Gás, que ocorreu no final de janeiro em Viena. As medidas incluem duas estratégias. A primeira é o abandono dos contratos de fornecimento de gás em longo prazo.

    "Distanciamo-nos dos contratos de abastecimento de gás em longo prazo porque, nas condições atuais, impedem que a Europa alcance seu objetivo de redução a zero de CO2 para 2050", afirmou Klaus-Dieter Borchardt, vice-presidente da Direção-Geral de Energia da Comissão Europeia.

    No entanto, a maioria dos contratos norte-americanos é em longo prazo. Em 2019, os Estados Unidos fecharam cinco acordos para fornecer 22,3 milhões de toneladas de GNL em 15 ou 20 anos.

    Outra medida planejada pela União Europeia é a prova da intensidade das emissões de dióxido de carbono de todos os provedores de gás ao mercado europeu. Espera-se um estudo minucioso "ao longo da cadeia de fornecimento, incluindo as emissões de metano e queima nos países de extração".

    "Precisamos ter mais sucesso", salientou Borchardt, acrescentando que, segundo seus dados, as produções de GNL na Austrália e EUA têm o dobro de intensidade de emissões do que o gás fornecido à Europa pela Noruega e Rússia.
    Gasoduto russo
    © Sputnik / Sergei Guneev
    Gasoduto russo

    Crise da produção de gás nos Estados Unidos

    Os analistas do BofA advertem que, devido a todos estes fatores, as exportações podem se tornar pouco rentáveis para os produtores norte-americanos. Neste caso, os preços precisariam baixar o suficiente para rivalizar com a geração de energia mais barata a partir do carvão no oeste dos EUA, indicaram.

    Atualmente, os preços do gás nos Estados Unidos caíram para US$ 1,98 (R$ 8,5) por um milhão de unidades térmicas em comparação com quase US$ 11 (R$ 47) em setembro de 2018. Se o setor energético dos EUA não conseguir equilibrar o mercado de gás neste ano, o preço poderia cair ainda mais, prevê o Bank of America.

    O resultado será "o armagedom do gás", uma falência massiva de companhias de gás, assim como de seus acionistas e credores, alerta o banco norte-americano.

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    Tags:
    energia, economia, exportações, Estados Unidos, Gás Natural Liquefeito, GNL
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